O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu que a sustentabilidade deve estar no centro do futuro do setor turístico, sublinhando que o sucesso da atividade deve ser medido também pelo impacto na qualidade de vida dos residentes.
“O turismo só é bom se for bom para a população residente”, afirmou, José Manuel Bolieiro, que presidiu à sessão de encerramento das Jornadas Atlânticas de Turismo, que decorreram no concelho das Velas, na ilha de São Jorge.
Na sua intervenção, o presidente do Governo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) considerou que a sustentabilidade deve abranger os empresários que investem no setor e assumem riscos numa atividade sujeita a períodos de maior e menor crescimento, muitas vezes devido a circunstâncias externas aos próprios destinos.
“É preciso sermos consistentes num percurso de valor acrescentado”, afirmou o chefe do executivo açoriano, citado numa nota de imprensa do Governo Regional, lembrando que o turismo é uma atividade transversal, com capacidade para dinamizar e acrescentar valor a diferentes setores da economia.
O presidente do Governo dos Açores destacou ainda a estratégia que a Região tem vindo a desenvolver no domínio do turismo sustentável, apontando o processo de certificação internacional pela EarthCheck como uma expressão dos compromissos assumidos pelos Açores.
Os Açores receberam, em 2019, a certificação inicial como destino turístico sustentável e alcançaram, em 2025, o nível Ouro II.
O governante açoriano recordou ainda os desafios enfrentados pelo setor nos últimos anos, desde a pandemia e a crise pós-pandémica às consequências da guerra e de outras circunstâncias internacionais.
Apesar deste contexto, salientou que a Região conseguiu superar os resultados alcançados em 2019, até então um ano de referência para o turismo açoriano, e atingir novos máximos em 2023, 2024 e 2025.
Face às variações verificadas em 2026, José Manuel Bolieiro defendeu a necessidade de manter uma estratégia consistente e, ao mesmo tempo, reforçar a capacidade de resiliência perante oscilações que, em muitos casos, resultam de fatores externos aos destinos, refere a nota.
As Jornadas Atlânticas de Turismo 2026 foram marcadas pela defesa de uma maior cooperação entre os arquipélagos atlânticos.
A iniciativa, realizada no âmbito da geminação entre os municípios das Velas, nos Açores, do Sal, em Cabo Verde, e do Porto Santo, na Madeira, promoveu a reflexão e a partilha de experiências em torno dos desafios e oportunidades que se colocam ao turismo das ilhas atlânticas.
José Manuel Bolieiro defendeu, neste âmbito, uma “cultura de pluralidade” que permita respeitar as especificidades de cada território.
Para o governante açoriano, esta condição impõe uma particular atenção à coesão e à distribuição equilibrada das oportunidades entre as diferentes ilhas.
“Temos trabalhado para garantir esta equidade territorial”, afirmou, defendendo uma visão sem privilégios, assente numa distribuição equilibrada e numa lógica de conjunto que valorize cada uma das partes.
Para o presidente do Governo dos Açores, o intercâmbio promovido pelas Jornadas Atlânticas de Turismo deve contribuir para encontrar, na pluralidade, uma "unidade de ação e de estratégia".
Esta cooperação, sustentou, pode contribuir para “desenvolver uma maior capacidade de afirmação e criar uma geografia de interesse e notoriedade no espaço atlântico”.
O Governo Regional salienta que as Jornadas Atlânticas de Turismo reforçaram a cooperação entre os Açores, a Madeira e Cabo Verde, "valorizando desafios e interesses comuns e contribuindo para uma visão partilhada do Atlântico enquanto espaço de sustentabilidade, mobilidade, inovação e desenvolvimento económico, social e cultural".