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Prémios Nobel comecam a ser anunciados 2ª feira com Portugal focado na Literatura

LUSA
03-10-2026 08:00h

Os prémios mais conceituados do mundo começam a ser atribuídos na segunda-feira, com o anúncio do vencedor do Nobel da Medicina, mas este ano, os portugueses estão concentrados na possibilidade de um segundo escritor nacional receber o galardão da Literatura.

Gonçalo M. Tavares, que publicou em novembro do ano passado a epopeia “O fim dos Estados Unidos da América”, é um dos nomes que constam nas principais bolsas de apostas internacionais como possível vencedor, o que, a concretizar-se, representaria o segundo Nobel da Literatura para Portugal, depois do de José Saramago em 1998.

No entanto, Gonçalo M. Tavares conta com séria concorrência, nomeadamente da escritora chinesa de ficção e crítica literária Can Xue, a candidata favorita, seguida da canadiana Anne Carson e do australiano Gerald Murnane.

A participação portuguesa é também alvo de atenção numa outra categoria, já que o restrito Comité do Nobel da Medicina, que seleciona e avalia os cientistas nomeados, conta, nesta edição, com a participação do neurobiólogo luso-sueco Gonçalo Castelo-Branco.

Este ano, como é habitual, os prémios mais aguardados são o da Literatura e o da Paz.

Apesar do cenário geopolítico mundial estar muito ativo, o Comité Norueguês do Nobel anunciou que a edição de 2026 conta com menos 51 candidatos ao prémio da Paz do que no ano passado.

Ainda assim, com 287 nomeados (208 pessoas e 79 organizações), o prémio continua a ter “um número consistentemente elevado” de candidatos, o que reflete “o forte interesse global e o atual contexto de tensões internacionais”, avançou o comité.

O recorde histórico de candidaturas continua a ser o de 2016, quando foram registados 376 nomeados.

Neste campo, as apostas apontam para as causas humanitárias e as figuras políticas de relevo.

Entre os principais favoritos constam nomes como o da Salas de Resposta de Emergência do Sudão, a rede de ajuda humanitária que venceu, entre outros galardões, o chamado Nobel alternativo (Right Livelihood Award) do ano passado, e o Tribunal Penal Internacional (TPI), que tem sido alvo de uma campanha norte-americana de sanções e restrições de viagem sobretudo pelos mandados de detenção emitidos contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Na lista de favoritos constam ainda a viúva do falecido opositor russo Alexei Navalny – Yulia Navalnaya –, candidata fortemente destacada pelas bolsas de apostas pelo seu combate contra o autoritarismo e em defesa da democracia, e também o Papa Leão XIV, referenciado como uma voz de apelo global à cessação de hostilidades.

Já considerados candidatos “clássicos”, juntam-se também à lista o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja candidatura foi publicamente impulsionada pelos líderes do Camboja, Israel e Paquistão, invocando os seus esforços diplomáticos na resolução de conflitos geopolíticos, e o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, pela liderança na resistência à invasão do país.

O anúncio oficial do vencedor do Prémio Nobel da Paz de 2026 será feito em Oslo no dia 09 de outubro, praticamente no fim da semana de divulgações, que se inicia com o vencedor em Medicina, seguido do galardoado em Física na terça-feira e do de Química no dia seguinte.

Na quinta-feira será a vez do prémio de Literatura, sendo que o final dos anúncios acontecerá na segunda-feira seguinte, 12 de outubro, com a divulgação do vencedor do prémio de Economia.

Este ano, cada uma das categorias receberá 12 milhões de coroas suecas (cerca de 1,1 milhões de euros), um valor que representa um aumento de 9% em relação ao que costumava ser o prémio monetário.

A subida do valor foi decidida pela Fundação Nobel como forma de assinalar o 125.º aniversário da primeira cerimónia de atribuição dos galardões, realizada em 1901.

As cerimónias de entrega dos prémios realizam-se simultaneamente a 10 de dezembro em Oslo no caso do Nobel da Paz e em Estocolmo nas restantes categorias.

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