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Moçambique/Ataques: MSF denuncia saque de unidade sanitária durante ataque

Lusa
02-10-2026 17:44h

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou hoje o saque de um centro de saúde apoiado pela organização em Mocímboa da Praia, norte de Moçambique, durante um ataque em 21 de setembro, alertando para interrupção de tratamentos.

Segundo um comunicado enviado hoje à Lusa pelos MSF, o centro de saúde da aldeia de Quelimane, naquele distrito da província de Cabo Delgado, foi saqueado durante o ataque, tendo sido roubados medicamentos essenciais e material médico. A organização alertou que a pilhagem de unidades sanitárias pode interromper tratamentos de pessoas já afetadas pelo conflito e pelas deslocações.

“Os ataques e saques de unidades de saúde, assim como o roubo de medicamentos e equipamento médico, têm consequências devastadoras para comunidades já extremamente vulneráveis devido ao conflito e às deslocações”, disse Pooja Iyer, coordenadora da MSF em Moçambique, citada no comunicado, alertando que a interrupção dos tratamentos de pessoas com VIH, tuberculose, hipertensão ou diabetes pode colocar as suas vidas em risco.

A organização condenou qualquer ato de violência contra os serviços de saúde e defendeu o respeito pelos doentes, cuidadores e profissionais de saúde, bem como a garantia de acesso aos cuidados médicos para as populações que vivem em zonas afetadas pelo conflito ou pela insegurança.

A organização MSF está presente em Cabo Delgado desde 2019 e iniciou atividades médicas em Mocímboa da Praia em 2022. Entre janeiro e junho deste ano, as equipas da organização realizaram mais de 57.000 consultas ambulatórias no distrito, trataram cerca de 12.000 doentes com infeções respiratórias e acompanharam 132 pessoas diagnosticadas com VIH.

A resposta médica ocorre num contexto de acesso limitado aos cuidados de saúde em várias zonas de Cabo Delgado. Em junho, a MSF alertou para as dificuldades enfrentadas por comunidades afetadas por ataques armados e deslocações, incluindo a falta de medicamentos e as longas distâncias percorridas para chegar às unidades sanitárias.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, é afetada desde 2017 por uma insurgência armada que provocou deslocações da população e condicionou o acesso a serviços básicos, incluindo a saúde. A MSF presta assistência médica e humanitária a pessoas deslocadas, comunidades de acolhimento e populações afetadas por emergências na província.

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