As Nações Unidas denunciaram hoje a destruição de um centro de tratamento de Ébola na sequência de um incêndio num campo de deslocados que acolhia 19.000 pessoas no leste da República Democrática do Congo (RDCongo).
O recinto afetado situava-se dentro do acampamento de Kigonze, na província de Ituri, epicentro da epidemia de Ébola, que ficou totalmente abandonado na última terça-feira após a fuga em massa dos seus habitantes, em plena situação de caos gerada por incursões militares em busca de armas e por confrontos armados, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) em comunicado.
O coordenador principal da resposta da ONU contra a epidemia, Julien Harneis, alertou que a perda desta infraestrutura deixa a população sem assistência médica direta e obriga a reconstruir de raiz a capacidade operacional na zona mais atingida pela doença.
"Tem sido uma luta enorme criar centros de trânsito e centros de tratamento de Ébola: exigiu dinheiro, a contratação de pessoal e tem sido uma luta em todo o leste [da RDCongo]", afirmou Harneis.
"Quando perdemos um centro, isso significa que perdemos capacidade, perdemos investimento e temos de recomeçar do zero. E, acima de tudo, significa que as pessoas não têm acesso aos cuidados de que realmente necessitam", acrescentou.
Segundo a ONU, residiam no acampamento cerca de mil contactos diretos de doentes com Ébola, dos quais as autoridades apenas conseguiram localizar uma quinta parte (20%) após a fuga em massa dos residentes para zonas não controladas.
À perda do centro de Kigonze soma-se a degradação generalizada da segurança denunciada pelo Gabinete para a Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), que confirmou o homicídio de dois profissionais de saúde na localidade de Lubero, na província de Kivu Norte, bem como ataques e fugas em massa no acampamento de Rhoe, em Ituri.
De acordo com o balanço mais recente das autoridades congolesas, com dados atualizados a 29 de setembro, a epidemia de Ébola da estirpe Bundibugyo declarada a 15 de maio acumula 8.224 casos confirmados e 3.982 mortes.
Um total de 2.212 pacientes recuperaram e 851 encontram-se hospitalizados ou em isolamento neste país vizinho de Angola.