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Estudo identifica alterações nos “genes-relógio” associadas à insónia crónica

Lusa
01-10-2026 11:40h

Um estudo da Universidade de Coimbra (UC) identificou, com recurso a um modelo bioinformático, alterações na expressão dos chamados “genes-relógio” associadas à insónia crónica, podendo contribuir para um diagnóstico mais preciso da doença, anunciou hoje aquela instituição.

“Perceber o perfil dos ‘genes-relógio’ nas pessoas com insónia, e que esse perfil pode ser um biomarcador para diagnosticar a insónia de forma mais objetiva, foi um dos grandes passos dados com este estudo”, explicou a investigadora coordenadora do artigo e do subgrupo de investigação Ritmos Biológicos e Sono no Envelhecimento e Doenças Associadas do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), Ana Rita Álvaro.

A equipa de investigação foi liderada pelo CNC-UC e pelo Centro de Inovação em Biotecnologia e Biomedicina (CiBB), em colaboração com a Universidade de Aveiro.

Segundo a UC, "é a primeira vez que a relação entre estes genes e a insónia crónica é estudada" e pode contribuir para um diagnóstico mais preciso da doença e para compreender de que forma os "genes-relógio" podem funcionar como novos biomarcadores da doença.

"Atualmente, por não existirem marcadores biológicos, a insónia tem um diagnóstico ambivalente e é difícil de tratar", notou.

A instituição explicou que as alterações identificadas verificaram-se em pelo menos três “genes-relógio”, que regulam o ritmo circadiano ou relógio biológico – sistema interno do corpo que regula sono, temperatura e hormonas ao longo do dia, de acordo com a luz solar.

O estudo também associa a alteração na expressão destes genes à desregulação dos níveis de cortisol, de melatonina e da temperatura corporal, marcadores biológicos naturalmente afetados em pessoas com perturbações do sono.

Os investigadores encontraram “alterações significativas” na atividade de “genes-relógio” em pessoas com sono de curta duração, o subtipo mais grave (quando se dorme menos de seis horas), sendo que estas pessoas apresentaram ainda temperatura corporal e níveis de cortisol mais elevados à noite, sinais de desregulação do relógio biológico.

“Confirmámos que quanto mais grave é a insónia nestes pacientes, mais alterados são os sinais de ritmo circadiano medidos por actigrafia, uma medição de atividade feita por um dispositivo tipo pulseira que regista atividade e temperatura”, destacou a investigadora.

A UC acrescentou que, de forma pioneira, a utilização de inteligência artificial, através de ‘machine learning’, permitiu distinguir pessoas com insónia de pessoas saudáveis, “com 92% de precisão”, e identificar os subtipos de insónia em cada um dos participantes no estudo (sono de curta duração e sono de duração normal).

“Este estudo combina abordagens já exploradas separadamente noutras doenças do sono, como a análise da expressão de ‘genes-relógio’ em doentes com apneia do sono, mas aplica-as agora, de forma inovadora, à insónia crónica, e em particular à distinção entre os seus subtipos”, afirmou Ana Rita Álvaro.

O Centro de Medicina do Sono da Unidade Local de Saúde de Coimbra e a Universidade da Pensilvânia (Estado Unidos) participaram também neste estudo.

Em Portugal, estima-se que cerca de 10% da população possa sofrer de insónia crónica.

A insónia é considerada crónica quando existe dificuldade em manter o sono por mais de três noites por semana, em três ou mais meses seguidos.

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