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Ativistas polacas lançam em Varsóvia primeiro dispensador de pílulas abortivas

LUSA
30-09-2026 10:01h

Ativistas polacas inauguraram hoje o primeiro dispensador de pílulas abortivas da Polónia, permitindo às mulheres aceder-lhes de forma anónima e imediata, num país cuja legislação sobre a interrupção voluntária da gravidez é uma das mais severas da Europa.

O pequeno armário cor-de-rosa, que as ativistas designaram como “abortomate”, tem 22 compartimentos contendo pacotes com medicamentos para a realização de abortos medicamentosos.

“Procuramos incessantemente soluções para tornar o acesso ao aborto mais simples — mais acessível, mais acolhedor e mais centrado nas pessoas”, disse Kinga Jelinska, diretora da fundação Women Help Women, com sede no Canadá e cofundadora da Abortion Dream Team, em declarações à agência de notícias francesa AFP.

O dispensador encontra-se no interior de um centro de apoio ao aborto criado pelas ativistas há mais de um ano num local simbólico: mesmo em frente ao parlamento polaco, que não cumpriu as suas promessas de flexibilizar a severa legislação.

Em contraste com uma clínica médica convencional, o centro oferece às mulheres acesso a recursos, entre os quais pílulas abortivas, e um espaço onde podem procurar apoio ou realizar o aborto farmacológico.

Na Polónia, o aborto é legal apenas em dois casos: quando a gravidez resulta de um ato criminoso, como violação ou incesto, e quando existe risco para a vida ou a saúde da mãe.

No entanto, nenhuma lei penaliza as mulheres que realizam o seu próprio aborto, por exemplo, utilizando pílulas encomendadas pela internet.

Trata-se de uma brecha jurídica que, segundo as ativistas, lhes permite manter o centro em funcionamento.

“O ‘abortomate’ é, de certa forma, um ‘subterfúgio’ em relação à lei”, observou Kinga Jelinska.

A assistência ao aborto continua a ser punida com uma pena de até três anos de prisão.

Além disso, “as pílulas são fornecidas por uma máquina gerida por uma organização sediada fora da Polónia”, a Women Help Women, acrescentou, para evitar que qualquer pessoa seja penalizada.

A criação do centro de aborto é alvo de protestos de grupos conservadores católicos.

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