As autoridades sanitárias de Nampula, Moçambique, alertaram hoje para o aumento de casos de hipertensão em jovens, que já representam 60% dos doentes, num semestre em que 19 pessoas morreram e 980 foram internadas por complicações cardiovasculares.
"Só nos primeiros seis meses deste ano foram registados cerca de 16 mil casos de hipertensão arterial, dos quais 980 evoluíram para complicações que necessitaram de internamento, enquanto os 19 óbitos referidos correspondem especificamente a doentes com insuficiência cardíaca", disse o médico internista do Hospital Central de Nampula (HCN), Calima Muagerene.
Falando em conferência de imprensa por ocasião do Dia Mundial do Coração, assinalado hoje, o médico do maior hospital do norte de Moçambique afirmou que o aumento do número de jovens afetados pela hipertensão é uma das principais preocupações das autoridades de saúde da província.
"Já temos quase 60% dos doentes jovens com hipertensão arterial", afirmou Muagerene, explicando que a patologia, muitas vezes assintomática, pode permanecer sem diagnóstico durante vários anos até causar lesões graves em órgãos vitais.
Segundo o especialista, a hipertensão continua a ser a doença cardiovascular mais frequente na província e está associada a complicações como Acidente Vascular Cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, enfarte agudo do miocárdio, doença renal crónica e lesões da retina.
"É uma doença silenciosa. Quando tem um sintoma, já tem a complicação", alertou.
Entre os sinais que devem motivar observação médica imediata, apontou dores de cabeça persistentes, sobretudo na região da nuca, palpitações, dores no peito, tonturas e episódios de desmaio.
A pressão sobre os serviços de saúde é agravada pela escassez de especialistas em cardiologia no maior hospital de referência do norte do país. Segundo Muagerene, o HCN contava anteriormente com dois cardiologistas, mas um encontra-se aposentado e o outro, de nacionalidade cubana, está de licença, deixando o acompanhamento dos doentes a cargo dos serviços de Medicina Interna.
"Em média, precisávamos de seis médicos cardiologistas, sendo dois no bloco operatório, dois no internamento e dois na consulta externa", reconheceu.
Perante o aumento de casos e a falta de especialistas, as autoridades sanitárias reforçaram o apelo à prevenção, defendendo a monitorização regular da pressão arterial, a redução do consumo de sal, a prática de atividade física regular e a diminuição do consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
O médico alertou ainda para os riscos da interrupção do tratamento por iniciativa dos pacientes, uma situação que considera frequente entre os doentes diagnosticados com hipertensão.