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Líderes africanos pedem reforço de verbas contra a malária e alertam para mortes

LUSA
25-09-2026 15:51h

Líderes africanos apelaram hoje ao reforço do financiamento para a malária nos orçamentos e planos de desenvolvimento nacionais, alertando que eventuais cortes na verba destinada à doença podem causar centenas de milhares de mortes.

"A África representa 94% de todos os casos de malária a nível mundial, e 95% das mortes por ela causadas. Os progressos estagnaram e o risco de ressurgimento está a aumentar, à medida que os países estão a braços com grandes défices de financiamento, eventos climáticos extremos, aumento da resistência aos inseticidas e medicamentos, e crises humanitárias", disse a Aliança de Líderes Africanos contra a Malária (ALMA, na sigla inglesa) num comunicado.

O apelo foi lançado à margem da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, durante um evento de alto nível promovido pelo Presidente do Botsuana e da ALMA, Duma Gideon Boko, em parceria com a Comissão da União Africana e a Parceria RBM para Eliminar a Malária.

Segundo pesquisas da ALMA e da organização Malaria No More UK, uma redução de 30% no financiamento do combate à doença pode resultar em 146 milhões de casos adicionais, cerca de 400 mil mortes e perdas de 37 mil milhões de dólares no Produto Interno Bruto (PIB) de África até 2030.

"Quando o investimento é sustentado, a malária recua. Mas quando o financiamento reduz, a malária intensifica-se", alertou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, sublinhando a urgência de manter recursos.

Duma Boko reforçou a capacidade do continente em liderar o processo, afirmando que "África tem as ferramentas, a experiência e a liderança necessárias para mudar a trajetória da malária".

Boko salientou que o continente precisa de um "financiamento sustentável e [de uma] ação coletiva", ao nível da ambição de um "futuro livre de malária".

Durante a reunião, os participantes instaram os Estados-membros a incluir a verba contra a doença nos orçamentos nacionais, reconhecendo contudo as dificuldades económicas do continente.

Por sua vez, o vice-Presidente da Gâmbia, Muhammad Jallow, recordou as limitações orçamentais de vários Governos.

"Temos de estar cientes e atentos às restrições orçamentais que muitos dos nossos países enfrentam. O financiamento interno por si só não pode sustentar o nível de investimento necessário para a eliminação. Por isso precisamos de parcerias internacionais mais fortes e de financiamento previsível em apoio aos países na fase final da eliminação", disse o governante gambiano.

A dimensão financeira junto das instituições multilaterais foi também abordada pela diretora executiva do Grupo África 1 do Banco Mundial, Zarau Kibwe, que garantiu empenho nas negociações do programa IDA22 - 22.ª Reposição de Recursos da Associação Internacional de Desenvolvimento.

"À medida que se aproximam as negociações da IDA22, temos de ter a malária como prioridade. E nós, os vossos embaixadores, trabalharemos convosco para garantir que ela entre no compromisso político", salientou Zarau Kibwe.

Entre os compromissos ministeriais, a África do Sul prometeu reforçar a cooperação transfronteiriça na região austral, enquanto o Zimbabué e Angola se comprometeram com a produção local de redes e medicamentos.

Já a Tanzânia destacou o desenvolvimento de investigação genética em laboratórios nacionais para prevenir a transmissão através dos mosquitos.

"África está preparada para liderar, mas a eliminação da malária continua a ser responsabilidade partilhada (...). A escolha que temos é clara. Podemos permitir que o défice de financiamento inverta os progressos alcançados, ou podemos escolher liderar", concluiu o chefe de Estado do Botsuana.

As organizações internacionais como o Fundo Global, a Fundação Gates, a Gavi e a GLIDE reafirmaram o apoio à resposta africana, garantindo a mobilização de fundos e a distribuição de vacinas às populações mais vulneráveis.

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