A Namíbia decidiu suspender as exportações de carne de bovino e ovino após a deteção, pela primeira vez em 60 anos, de um foco de febre aftosa na principal região pecuária do sul do país.
"É a primeira vez que temos uma epidemia desde a independência e isto vai ter um impacto negativo em todo o setor", admitiu o porta-voz do Ministério da Agricultura, Romeo Muyunda, à agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).
Esta infeção viral altamente contagiosa não é perigosa para os seres humanos, mas é virulenta nos bovinos, ovinos e caprinos, provocando febre, bolhas e, por vezes, a morte.
O vírus conseguiu ultrapassar um cordão sanitário estabelecido pelas autoridades, que separava o norte do país — onde o vírus é endémico — do sul, para onde se propagou pela primeira vez desde 1964 neste país que faz fronteira, a norte, com Angola.
A Namíbia, que conquistou a independência da África do Sul em 1990, é o oitavo país da África Austral afetado pela febre aftosa desde o início do ano, a seguir ao Botsuana, ao Lesoto, a Moçambique, à África do Sul, à Zâmbia e ao Zimbabué.
Em 2025, o país exportou mais de 13 mil toneladas de carne de vaca, das quais mais de 90% para a Europa, acrescenta a AFP.
O governo ordenou também a suspensão imediata de qualquer abate de gado, seja em matadouros, em mercados ou em propriedades particulares.
A Meatco, empresa pública de transformação de carne, indicou que está a avaliar a situação dos carregamentos de carne de bovino em trânsito.
"Nesta fase, a Meatco não pretende especular sobre a possibilidade de algum produto ter de ser recolhido", declarou a empresa num comunicado citado pela AFP.