O primeiro-ministro português criticou hoje numa iniciativa sobre clima nas Nações Unidas a "realidade absurda e insensata" do aumento do preço dos combustíveis, defendendo a importância de garantir "maior autonomia estratégica" nesta área.
No evento de Alto Nível promovido pelo secretário-geral das Nações Unidas sobre Ação Climática e Transição Justa, que decorreu na sede da ONU em Nova Iorque, Luís Montenegro afirmou que Portugal está "na linha da frente da transição energética" e assegurou que o país vai duplicar a capacidade instalada de produção de energia renovável.
O chefe do Governo português defendeu que todo o investimento nas energias renováveis tem vários objetivos meritórios como "a produção de energia mais barata", preservação do meio ambiente, mas também é a "garantia de maior autonomia estratégica".
"Numa altura em que estamos todos a ser afetados por esta realidade absurda e insensata de estarmos todos a pagar os combustíveis provenientes do petróleo mais caros, com inegável prejuízo para as nossas populações e para as nossas economias, a capacidade de sermos mais autónomos, cada um de nós também mais soberano, mais amigo do ambiente e podermos oferecer fontes de energia a um preço mais acessível é um objetivo comum", defendeu.
Montenegro saudou, de forma particular, o secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, que considerou "uma das vozes mais audíveis e mais claras" no alerto para a emergência climática.
"Em Portugal, temos vindo, infelizmente, a ser confrontados com fenómenos atmosféricos e climáticos extremos, nomeadamente um número crescente e profundamente preocupante de incêndios florestais, mas também a ocorrência de outros fenómenos igualmente extremos, como tempestades e cheias repentinas", disse.
O primeiro-ministro defendeu que Portugal está "na linha da frente" da transição energética e deverá conseguir antecipar "em alguns anos" o objetivo de alcançar a neutralidade carbónica em 2050, salientando que "mais de 75% da eletricidade produzida em Portugal provém de fontes renováveis".
"Até 2030 iremos reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 55%. Estamos a diversificar o nosso cabaz energético com um forte enfoque no hidrogénio verde e nos biocombustíveis. E, ao mesmo tempo, vamos duplicar a nossa capacidade instalada na produção de energia renovável", afirmou.
Até 2030, acrescentou, Portugal quer atingir "os dois gigawatts de capacidade instalada em energia eólica 'offshore'".
Perante vários chefes de Estado e de Governo que participaram neste evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, Montenegro partilhou o mecanismo que Portugal desenvolveu de conversão da dívida de alguns países em investimento climático.
"É o que estamos a fazer em Cabo Verde e é o que estamos a fazer também em São Tomé e Príncipe (…) É uma forma de financiarmos o desenvolvimento destes países centrada na aposta e no investimento na proteção ambiental e na criação de novos investimentos de produção de energia renovável", explicou
Luís Montenegro cumpre hoje em Nova Iorque o segundo de três dias de uma visita oficial aos Estados Unidos para participar na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), e começou hoje a agenda com um encontro de cerca de meia hora com o secretário-geral da organização, o português António Guterres, que termina funções em dezembro.
Hoje, o chefe do Governo português também interveio no lançamento formal do projeto europeu Aliança "Ocean Eye", tendo anunciado que Portugal vai contribuir com 75 milhões de euros para o projeto europeu destinado a reforçar a proteção dos oceanos, entre doações financeiras e em espécie.
Montenegro teve ainda vários encontros bilaterais, incluindo com os Presidentes da República de Angola, João Lourenço, e de Timor-Leste, José Ramos Horta.
Na quinta-feira, último dia da deslocação do chefe do Governo PSD/CDS-PP aos EUA, Montenegro discursará na sessão de alto nível da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.