O vice-presidente norte-americano, JD Vance, anunciou terça-feira uma poupança de 2,2 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros) num programa de saúde pública, com a remoção de 760 mil inscrições fraudulentas.
Em causa está o Affordable Care Act (conhecido por Obamacare), no qual foram agora cancelados pagamentos de subsídios a centenas de milhares de pessoas inscritas forma de considerada fraudulenta ou que simplesmente não existem, afirmou Vance numa conferência de imprensa com Mehmet Oz, administrador dos Centros de Serviços Medicare e Medicaid (CMS), e outras autoridades governamentais.
"Estamos a assegurar que as pessoas que recebem subsídios do Obamacare têm, de facto, direito a recebê-los", disse Vance, que lidera um grupo de trabalho governamental para eliminar a fraude.
O governo de Donald Trump anunciou ainda uma suspensão de seis meses para novos agentes ou corretores que realizem a inscrição de pessoas em planos de saúde; segundo as autoridades, estes profissionais são responsáveis por uma parcela desproporcional das fraudes detetadas.
Cerca de 19,2 milhões de norte-americanos estavam ativamente inscritos em planos de saúde do Obamacare no início de 2026, segundo o site do Departamento de Saúde e Serviços Humanos.
O número de inscritos aumentou durante a pandemia de Covid-19, quando foram disponibilizados subsídios alargados através de dois planos lançados pelo ex-Presidente Joe Biden.
O anúncio de hoje é a mais recente medida de uma iniciativa da administração Trump para combater a fraude em todo o país, incluindo nos programas federais de saúde, visando conter os gastos excessivos e proteger os contribuintes.
Na conferência de imprensa de hoje, Vance mencionou algumas inscrições canceladas que não apresentavam números de Segurança Social ou documentação de imigração.
Alguns especialistas em políticas de saúde apelam a mais transparência sobre os critérios utilizados pela administração Trump para cortar centenas de milhares de inscritos e questionam quantas pessoas podem ter sido excluídas do programa indevidamente.
Ellen Montz, ex-vice-administradora e diretora do Centro de Informação ao Consumidor e Supervisão de Seguros (CCIIO) durante o governo Biden, salientou que houve um esforço contínuo do anterior executivo para eliminar a fraude nos programas do ACA.
"Há muito trabalho a ser feito, e a administração Trump realizou algumas ações positivas dirigidas aos verdadeiros burlões", disse Montz, ressalvando que o anúncio de hoje carece de detalhes sobre a forma como a administração determinou quem seria excluído.
"Imagino que vamos ouvir relatos de alguns consumidores a perguntar: 'Porque é que a minha inscrição foi cancelada?'", disse Montz.
O anúncio surge numa altura em que a inflação persistentemente elevada e o aumento dos custos dos cuidados de saúde pressionam o governo a elaborar um plano para reduzir as despesas da população, dado que a acessibilidade financeira continua a ser uma questão central nas eleições intercalares deste outono.
Os preços dos seguros do Obamacare dispararam para muitos utentes durante o segundo mandato de Trump, depois de os republicanos se terem oposto à prorrogação dos subsídios do período da pandemia.
Os valores dos prémios duplicaram ou triplicaram para muitos inscritos, levando milhões a optar por planos mais básicos ou a abandonar totalmente o programa, depois de o Congresso — sob liderança republicana — ter permitido que os subsídios expirassem este ano.