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Falta de anestesiologistas pode ser resolvida com partilha de recursos - ministra

Lusa
22-09-2026 20:31h

A ministra da Saúde admitiu hoje que a falta de anestesiologistas constitui um “grande problema” em Lisboa e Vale do Tejo, que poderá ser resolvido com a partilha de recursos entre hospitais, no âmbito das futuras urgências centralizadas.

“Temos um grande problema de anestesiologia em Lisboa e Vale do Tejo, sobretudo, nos grandes hospitais”, afirmou Ana Paula Martins na audição regimental no parlamento sobre a política geral do ministério, mas também sobre outros assuntos da atualidade da saúde.

Aos deputados, a governante reconheceu que “só há uma forma de resolver isso”, ou seja, através das futuras urgências centralizadas, que vão permitir uma partilha de recursos também na área da anestesiologia.

“Essa gestão, que hoje é feita ULS [unidade local de saúde] a ULS, tem de ser feita dentro da área de influência do hospital”, afirmou Ana Paula Martins, que respondia a uma questão da deputada do PS Mariana Vieira da Silva sobre a falta de especialistas dessa área da ULS de São José.

A ministra reiterou que, no final de novembro, a nova rede de urgências vai estar em audição pública, mas salientou a necessidade de “começar a trabalhar em Lisboa e Vale do Tejo no modelo de partilha na área da anestesiologia”.

Referiu ainda que estes especialistas em anestesiologia estão mais habituados a esta mobilidade entre hospitais do que profissionais de outras especialidades, por razões clínicas.

Na última semana, a ULS de São José confirmou que quatro anestesiologistas vão deixar o Hospital Dona Estefânia no próximo mês, prevendo, porém, que essas rescisões tenham um impacto reduzido no serviço.

A ULS adiantou que três especialistas já se encontravam ausentes há vários meses - um por licença parental e dois por doença prolongada - e o quarto exercia funções em tempo parcial.

Já no início deste mês, os nove chefes de equipa da urgência pediátrica do Hospital Dona Estefânia apresentaram a demissão dos cargos, alegando também constrangimentos com a anestesiologia.

Recentemente, a Ordem dos Médicos estimou que o Serviço Nacional de Saúde precise de mais 600 anestesiologistas e defendeu a criação de uma estratégia nacional para atrair e reter especialistas dessa área no serviço público de saúde.

Questionada sobre as dificuldades na resposta da interrupção voluntária da gravidez (IVG) no Hospital Garcia de Orta, Ana Paula Martins reconheceu não dispor do levantamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) sobre esta matéria.

“Temos claramente de ter um levantamento da resposta efetiva ao nível da rede do SNS”, salientou a governante, que admitiu que a solução pode também passar por “respostas regionais” ao nível das ULS.

“O Garcia de Orta quer muito resolver o problema, porque quer dar resposta, mas admito que não o pode fazer sozinho. Eu admito que não seja uma matéria, neste momento, já de um hospital ou de uma ULS”, referiu Ana Paula Martins.

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