O presidente da Fundação ADFP garantiu hoje ao Tribunal de Coimbra que as candidaturas realizadas no âmbito do apoio do Estado MAREESS serviram para assegurar o funcionamento da instituição, numa altura de muito absentismo devido à pandemia.
“Quando a covid começou tínhamos as equipas todas preenchidas, o rácio previa até as férias dos trabalhadores. Durante a covid, houve muito absentismo e era necessário manter os cuidados aos utentes”, afirmou Jaime Ramos.
O Tribunal de Coimbra começou hoje a julgar a Fundação ADFP - Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, o presidente da organização, Jaime Ramos, um filho deste e uma responsável técnica, que estão acusados pelo Ministério Público por fraude na obtenção de apoios criados durante a pandemia de covid-19 para o setor social e público.
Segundo a acusação, Jaime Ramos e o filho terão criado um esquema, entre 2020 e 2021, para ganharem benefícios económicos com uma medida de apoio do Estado destinada ao setor público e social, intitulada MAREESS e criada no âmbito da pandemia da covid-19, para apoiar a atividade na área social e da saúde, com um incentivo de emergência à substituição de trabalhadores ausentes ou temporariamente impedidos de trabalhar.
Ao Tribunal de Coimbra, o presidente da Fundação ADFP explicou que na altura da covid-19 realizaram “provavelmente mais de 100" candidaturas a esta medida, tendo-se sucedido com a mesma fundamentação, numa minuta que acredita ter sido previamente fornecida.
“O IEFP [Instituto do Emprego e Formação Profissional] não é passivo e nunca disse que não podia ser assim”, referiu.
De acordo com Jaime Ramos, na altura tentavam que as candidaturas fossem realizadas o mais depressa possível “porque havia necessidades urgentes e “os utentes tinham necessidades urgentes”.
“Julgo que foi sempre usada a mesma justificação: era copiar e colar, tirando um caso ou outro com candidaturas com formação superior”, acrescentou, afirmando que nunca realizou “qualquer conluio” com as técnicas responsáveis pela realização das candidaturas.
O presidente da Fundação ADFP disse ainda ao Tribunal de Coimbra que era da sua responsabilidade colocar os funcionários onde mais eram necessários e que estes eram alocados a sítios que, mesmo que indiretamente, asseguravam os cuidados aos utentes.
Também o filho de Jaime Ramos foi ouvido hoje à tarde, esclarecendo que não pertence ao conselho de administração da ADFP e deixando a garantia de que nunca formalizou qualquer candidatura e que se o seu nome figura como responsável em alguma, desconhece porque o fizeram.
Já a responsável técnica optou por não prestar declarações.
O julgamento prossegue em 23 de outubro.
Também durante o dia de hoje, o vice-presidente do conselho de administração da ADFP, José Palrinhas, fez chegar um comunicado à agência Lusa, através do qual indica que “todos os trabalhadores se destinaram a assegurar o funcionamento da instituição durante a epidemia”, “todos os trabalhadores reuniam condições para serem beneficiários da medida” e “todos receberam a totalidade do dinheiro enviado pelo IEFP”.
“Antes da covid a Fundação tinha recursos humanos para funcionar com qualidade na prestação de cuidados aos quase 500 residentes e a todas as outras centenas de utentes. Só a epidemia obrigou a reforçar equipas devido a baixas, isolamento profilático, apoio familiar, abandono de funções por pânico, divisão das equipas em espelho para evitar contágios e outro absentismo”, alegou.