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Ébola: Falta de centros e rastreamento dificulta resposta à epidemia na RDCongo

Lusa
27-08-2026 10:43h

O rastreamento de contactos insuficiente e a falta de centros de tratamento em algumas localidades continuam a dificultar a resposta à epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), alertaram as autoridades congolesas.

O Instituto Nacional de Saúde Pública congolês (INSP) declarou que a resposta à epidemia enfrenta "uma baixa capacidade de acolhimento e a ausência de centro de tratamentos de Ébola em algumas áreas de saúde", bem como um "funcionamento insuficiente dos pontos de controlo e dos pontos de entrada" nas regiões afetadas, devido à "desmotivação" dos agentes em alguns destes postos, por não serem remunerados.

As autoridades da RDCongo alertam para um "baixo acompanhamento dos contactos de casos confirmados, principalmente na província de Bas-Uélé (Norte), devido à falta de equipas dedicadas a estas atividades".

Segundo o mais recente relatório do INSP, registaram-se 5.713 casos confirmados e 2.744 mortes devido ao Ébola, uma taxa de mortalidade de 48%.

A taxa de rastreamento permanece em 84,6%, ainda abaixo da meta de 85%, enquanto um total de 1.269 pessoas se recuperaram da doença e 770 estão em isolamento ou internadas em centros de tratamento.

Além de Bas-Uélé, a transmissão do vírus está a atingir outras cinco províncias: Ituri (epicentro da epidemia), no leste; Tshopo (centro-norte); Haut-Uélé; Kivu do Norte; e Kivu do Sul (leste), embora esta última esteja há mais de 80 dias sem novos casos confirmados.

Na sexta-feira, o país africano recebeu as primeiras 16.520 vacinas Ervebo, originalmente desenvolvidas contra a variante Zaire do vírus do Ébola, mas que demonstraram, em animais, indícios de possível eficácia contra a variante Bundibugyo, responsável pela epidemia atual.

Atualmente, não existem tratamentos específicos contra essa variante, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que outras duas vacinas desenvolvidas para combater a estripe Bundibugyo estão na fase 1 de testes em humanos e "demonstraram ser seguras", embora o seu desenvolvimento possa levar vários meses.

A epidemia é a segunda mais mortal da história, superando a que também ocorreu na mesma região congolesa entre 2018 e 2020, mas ainda está longe de ser a mais grave já registada, que causou cerca de 11 mil mortes e 28 mil infeções na África Ocidental entre 2014 e 2016.

Após ser declarada na província de Ituri (Leste), a epidemia também se espalhou para o Uganda, onde a OMS declarou o fim da epidemia na quarta-feira, após registar 20 infeções confirmadas, incluindo 15 casos considerados importados da RDCongo, entre os quais houve duas mortes.

O vírus do Ébola é transmitido por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

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