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Plataforma humanitária moçambicana pede mais confiança nas organizações locais

LUSA
20-08-2026 09:18h

A Plataforma Moçambicana de Coordenação Humanitária Local (MLHCP) defendeu hoje um sistema humanitário com maior confiança nas organizações locais, alertando para os riscos enfrentados pelos trabalhadores humanitários e para o défice de financiamento da resposta às crises.

“Moçambique continua a ser um contexto extremamente perigoso para o pessoal humanitário, com 917 incidentes de segurança registados em 2025 e outros 405 já reportados este ano”, é referido num comunicado da MLHCP, que reúne mais de 120 organizações locais e nacionais.

Assinalando o Dia Mundial da Ajuda Humanitária, celebrado em 19 de agosto, esta plataforma prestou homenagem aos trabalhadores humanitários que atuam nas várias frentes de emergência em Moçambique, destacando o papel dos seus membros, que trabalham “na linha da frente das múltiplas crises humanitárias que afetam Moçambique”.

Segundo a organização, estes prestam assistência a comunidades de difícil acesso e são frequentemente parte das populações afetadas por conflitos e desastres.

Sublinhou a plataforma que os trabalhadores humanitários locais continuam a enfrentar os maiores riscos de segurança no terreno.

A plataforma recorda os trabalhadores humanitários mortos, feridos, raptados ou detidos durante missões de assistência e alerta para a persistência da crise humanitária no país, marcada pelo conflito em Cabo Delgado e províncias vizinhas, pelas cheias registadas no sul no início do ano e pelo agravamento do risco de seca e insegurança alimentar associado ao fenómeno El Niño.

O documento indica ainda que o Plano de Necessidades e Resposta Humanitária de 2026 prevê mobilizar 534 milhões de dólares (457,3 milhões de euros) para assistir 1,7 milhões de pessoas este ano. Só a componente ligada ao conflito no norte do país requer 348 milhões de dólares (298 milhões de euros), dos quais apenas 34% tinham sido recebidos até meados do ano.

Citado na declaração, o coordenador nacional da MLHCP, Nyararai Magudu, defendeu uma maior valorização das organizações locais.

“Os nossos membros não chegam apenas quando a crise começa nem partem quando ela termina. Estão lá antes, durante e depois. No Dia Mundial da Ajuda Humanitária honramos o seu importante trabalho. Mas o reconhecimento, por si só, não muda nada. Precisamos de um sistema humanitário que deposite maior confiança nas organizações locais”, afirmou.

A plataforma considerou ainda que a chamada iniciativa “Humanitarian Reset” demonstrou a necessidade de uma ação humanitária mais liderada localmente e defendeu uma mudança estrutural no funcionamento do sistema humanitário em Moçambique, com maior envolvimento dos atores locais na tomada de decisões, mais apoio institucional e melhor acesso ao financiamento.

Criada em junho de 2025, a MLHCP reúne mais de 120 Organizações Não-Governamentais locais e nacionais presentes nas 11 províncias do país, para reforçar a coordenação humanitária e promover a localização da ajuda em Moçambique.

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