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OMS denuncia mais de 10.000 ataques contra centros de saúde

LUSA
14-08-2026 18:12h

Mais de 10.000 ataques contra estruturas sanitárias foram registados, a nível mundial, desde 2018, sem que ninguém ou nenhum Estado tenha sido levado a tribunal, denunciou hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Estes ataques causaram cerca de 5.700 mortos e 8.500 feridos em 29 países e territórios, afirmou o diretor da unidade humanitária e de gestão de catástrofes da OMS, Altaf Musani, que apresentou estes números numa conferência de imprensa em Genebra.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, tem sublinhando repetidamente que os estabelecimentos de saúde nunca deviam ser alvo de ataques.

Os centros de saúde e todo o sistema de saúde estão abrangidos pelo direito internacional humanitário, bem como pelos direitos humanos, e são protegidos pelas Convenções de Genebra, destacou Musani.

Contudo, "dos mais de 10.000 incidentes verificados, nenhum deu origem a processos judiciais", lamentou.

Desde o início de 2026, a OMS registou 914 ataques, que causaram 911 mortos e 1.486 feridos, precisou, adiantando que a maioria deles ocorreu na Ucrânia, no Líbano e nos territórios palestinianos.

Outros foram registados em Myanmar (antiga Birmânia), Irão, Sudão, República Democrática do Congo (RDCongo), Sudão do Sul, Rússia, Síria e Nigéria.

Musani acrescentou que os ataques com armas pesadas são, de longe, os mais frequentemente assinalados este ano, seguidos de obstrução aos cuidados de saúde e de violência psicológica.

Pelo menos 44 dizem respeito a rapto, detenção ou prisão de profissionais de saúde e doentes, num total de 148 pessoas.

"Quando um hospital é atacado, o impacto não é apenas sobre as pessoas que lá se encontram. Há o doente que não pode ser tratado no dia seguinte, a ambulância que não pode realizar a evacuação seguinte, o profissional de saúde impedido de regressar ao trabalho, ou os medicamentos que deixam de chegar a outros estabelecimentos", explicou Musani.

O responsável da OMS indicou também que a totalidade dos 36 hospitais da Faixa de Gaza foi danificada antes do final de 2025.

Na Ucrânia, a OMS registou mais de 3.000 ataques desde a invasão russa em 2022, incluindo um contra o seu próprio armazém em Dnipro, destruído na semana passada.

Na RDCongo, foram registados 12 ataques contra centros de saúde desde o início do atual surto de Ébola, em maio, indicou Musani.

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