O sindicato representativo dos trabalhadores do INEM decidiu hoje marcar uma greve para 14 e 28 de setembro para contestar a nova lei orgânica da instituição e "a retirada" de 100 ambulâncias do seu dispositivo operacional.
A informação foi dada à Lusa pelo presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Rui Lázaro, após a assembleia geral extraordinária de trabalhadores do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Para estas paralisações, o sindicato pede o apoio na adesão dos sindicatos dos médicos, enfermeiros e da função pública (com trabalhadores representados no INEM).
Para desmarcar os dois dias de greve, o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar exige a suspensão da nova lei orgânica do INEM e da "decisão de retirar 100 ambulâncias" do seu dispositivo operacional.
"Medidas com consequências gravíssimas para os cidadãos", afirmou Rui Lázaro.
Em julho, o sindicato expressou "grande preocupação" com "a retirada" de 100 ambulâncias do Sistema Integrado de Emergência Médica do INEM, alertando para a demora na assistência às pessoas.
Na altura, o sindicato assumiu que uma tal decisão "ocorre em simultâneo com a abertura aos privados".
Segundo então a Comissão de Trabalhadores do INEM, "a retirada de 100 ambulâncias" do dispositivo operacional do instituto iria afetar 71 concelhos, incluindo Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Loulé e Setúbal, aumentando a pressão sobre os bombeiros e Cruz Vermelha, com um "risco acrescido" para os utentes devido ao "previsível aumento dos tempos de resposta" e "maior indisponibilidade de meios".
Numa resposta anterior à Lusa, o INEM refutou as alegações, indicando que "não está em causa qualquer desmantelamento do dispositivo de emergência médica, a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional ou uma diminuição da capacidade de resposta às populações".
"Pelo contrário, o objetivo é reforçar a integração entre a emergência pré-hospitalar e os cuidados hospitalares, mantendo todos os meios integrados no Sistema Integrado de Emergência Médica sob coordenação nacional do INEM e acionamento pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)", assegurou.
De acordo com a nova lei orgânica do INEM, publicada em julho, são extintas as delegações do Norte, Centro e Sul.
Em declarações anteriores à Lusa, o presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, referiu que o novo modelo de funcionamento prevê o reforço da presença da emergência pré-hospitalar nessas regiões, salientando que os estatutos que serão publicados mantêm os CODU no Porto (Norte), Coimbra (Centro), Lisboa (Sul) e Loulé (Algarve) e vão permitir "reforçar a presença dos serviços de apoio no Porto, Coimbra e Algarve com a contratação de mais profissionais".