A epidemia do vírus Ébola na República democrática do Congo (RDCongo) alastrou-se a uma sexta província, Bas-Uele, depois de ter sido registada uma morte, afirmou hoje o diretor-geral dos CDC África.
O responsável dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças de África (CDC África), Jean Kaseya, referiu que a pessoa infetada tinha viajado de Isiro, na província de Haut-Uele, para Buta, a capital de Bas-Uele, onde morreu.
A epidemia no leste da RDCongo, que tem registado o crescimento mais rápido até à data, está a caminho de ultrapassar a mais mortífera da história, que eclodiu há mais de uma década e matou mais de 11.000 pessoas, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS) na quarta-feira.
Desde que a epidemia foi declarada na RDCongo, em maio, o vírus do Ébola já causou a morte a 2.128 pessoas, de um total de mais de 4.566 casos confirmados, segundo os últimos dados divulgados hoje pelo Governo congolês.
Este número de mortos foi atingido quase três vezes mais rapidamente do que no surto de Ébola de 2014-2016 na África Ocidental — o pior da história.
A epidemia está a alastrar-se perante um cenário difícil, com greves de alguns profissionais de saúde que não recebem salários, ameaças de grupos rebeldes, a indignação de comunidades há muito traumatizadas e desinformação que afirma que o Ébola não é real.
Até hoje, seis das 26 províncias do Congo foram afetadas.
Entretanto, os profissionais de saúde do Centro de Tratamento de Nizi, na província de Ituri — uma das mais afetadas da região —, entraram hoje em greve, o que levou ao encerramento temporário do centro, depois de terem afirmado que não recebem salários há três meses.
"Estamos a perseguir o vírus; [mas] o vírus está à nossa frente", afirmou esta semana o diretor regional da OMS para África, Mohamed Yakub Janabi.
Segundo recentes informações partilhadas nas segunda-feira pela OMS, o vírus começou a circular no leste da RDCongo em fevereiro, embora uma investigação publicada na revista "Science", no final de julho, tenha sugerido que as primeiras infeções teriam ocorrido ainda antes, pelo menos em janeiro.
Após a declaração da epidemia em Ituri, o vírus propagou-se para a vizinha Uganda, país que se declarou "livre do Ébola" a 28 de julho, após registar 20 casos confirmados, incluindo 15 casos considerados importados da RDCongo, entre os quais se contaram duas mortes.
A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a OMS.
O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.