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Ébola: Mais de dois mil casos confirmados e 754 mortes na RDCongo

Lusa
15-07-2026 12:09h

Os casos confirmados de Ébola na República Democrática do Congo atingiram os 2.011, incluindo 754 mortes, segundo dados do Governo, com as autoridades a considerarem ser a epidemia deste vírus com o crescimento mais rápido de que há registo.

Um total de 753 pessoas continuam em isolamento ou hospitalizadas, enquanto 366 já recuperaram, de acordo com dados do Ministério da Saúde da República Democrática do Congo (RDCongo), nação vizinha de Angola, divulgados na terça-feira à noite.

O rastreio de contactos neste país, com mais de 100 milhões de habitantes, continua a ser um desafio, com a cobertura das pessoas expostas ainda nos 67%.

Segundo um comunicado hoje divulgado, pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), o Ébola está a propagar-se a um ritmo "sem precedentes" na RDCongo.

"Há cada vez mais pessoas infetadas, mais famílias perdem os seus entes queridos e a epidemia torna-se cada vez mais difícil de conter", segundo a coordenadora de emergências da MSF, Trish Newport.

Por isso, é necessária "uma ação internacional mais firme e coordenada para agir com maior rapidez e melhorar o acesso tanto aos cuidados médicos para o Ébola como a outros serviços de saúde essenciais", sublinhou Newport.

A RDCongo, país da África central, tem vindo a combater a epidemia do Ébola causado pelo raro vírus Bundibugyo desde maio.

Dois meses após o início, a epidemia continua a propagar-se mais rapidamente do que as autoridades de saúde conseguem acompanhar, apesar de uma resposta cada vez mais ampla.

Pelo menos 80% dos novos casos provêm de cadeias de transmissão desconhecidas, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na terça-feira.

No mesmo dia a OMS alertou, ainda, que a dimensão da epidemia do vírus Ébola na RDCongo poderá ser "duas a quatro vezes" superior às estimativas oficiais.

Um dos principais desafios é que as autoridades de saúde ainda não identificaram o "paciente zero" da epidemia, enquanto as deslocações decorrentes de conflitos armados, bem como os movimentos relacionados com a exploração mineira, têm dificultado o rastreio de milhares de pessoas que entraram em contacto com infetados.

Muitas das mortes recentemente registadas são de pessoas que nunca chegaram a um centro de saúde e que nunca receberam cuidados, afirmou na terça-feira o Chikwe Ihekweazu, responsável pelas emergências sanitárias da OMS, após regressar de Bunia, em Ituri, a província mais afetada.

Os profissionais de saúde também estão em greve em diferentes partes de Ituri. Afirmam que não receberam qualquer pagamento desde que começaram a trabalhar no início da epidemia.

Os esforços de resposta têm também sido dificultados pela falta de vacinas ou tratamentos aprovados para o vírus Bundibugyo.

Em apenas dois meses, o surto de Ébola - que entretanto evoluiu para epidemia - é o 17º a afetar a RDCongo, tornou-se o terceiro maior e o de crescimento mais rápido de todos os registados até à data.

Oficialmente declarada em maio em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul, a epidemia alastrou-se igualmente ao Uganda, onde foram confirmados 20 casos, 15 dos quais importados da RDCongo, entre os quais se contam duas mortes.

A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a OMS, que considera “elevado” o risco de propagação do surto na África subsaariana e “baixo” à escala global.

A OMS estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e classificou a epidemia, no passado dia 17 de maio, como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”.

O vírus transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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