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JPP quer ouvir responsáveis da Saúde sobre "altas problemáticas" na Madeira

Lusa
13-07-2026 14:16h

O Juntos Pelo Povo (JPP) anunciou que vai requerer uma audição parlamentar a responsáveis da Saúde da Madeira e ao diretor clínico do Serviço Regional de Saúde para esclareceram a situação “preocupante” das “altas problemáticas” na região.

Em conferência de imprensa, o vice-presidente do grupo parlamentar do JPP na Assembleia Legislativa da Madeira, o maior partido da oposição regional (ocupa 11 dos 47 lugares no hemiciclo), Paulo Alves, afirmou que em declarações recentes, o diretor clínico do Serviço Regional de Saúde (Sesaram), Júlio Nóbrega, mencionou que existem cerca de 500 pessoas com alta ainda internadas em unidades de saúde.

Acrescentou que este responsável clínico afirmou que destas cinco centenas, “250 encontram-se nos hospitais Dr. Nélio Mendonça e dos Marmeleiros, estando as restantes distribuídas por outras instituição de saúde da região”.

Para o JPP, “se já antes o problema das altas clínicas exigia respostas e soluções a curto prazo, esta nova realidade assumida pelo responsável máximo da área clínica da saúde regional coloca-nos perante uma evidência bastante preocupante”.

Paulo Alves apontou que “não há tempo para adiamentos nem para fuga às responsabilidades”, defendendo que “o Governo deve promover entendimentos entre os departamentos que tutelam a Saúde e a Segurança Social, envolvendo igualmente parceiros sociais, instituições particulares de solidariedade social, misericórdias, autarquias e entidades privadas”.

Se não forem tomadas medidas, “o problema das altas clínicas acabará por provocar ruturas imprevisíveis em todo o sistema regional de saúde”, opinou.

Referindo a recente suspensão temporária das visitas aos utentes internados no Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça, devido à elevada taxa de ocupação, considerou que “a justificação apresentada pelo Sesaram confirma uma relação de causa e efeito com origem nas altas clínicas”.

As visitas aos doentes neste serviço estiveram suspensas durante sete dias e foram retomadas no sábado.

“A própria administração hospitalar reconheceu uma situação de sobrelotação nos corredores do Serviço de Urgência, onde chegaram a estar cerca de 50 doentes à espera de internamento”, complementou.

O eleito do JPP destacou ainda as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde, indicando que “o número crescente de enfermeiros a apresentar escusas de responsabilidade demonstra a falta de condições para a prestação de cuidados dentro dos padrões recomendados pela Organização Mundial da Saúde e pela Ordem dos Enfermeiros”.

“Há enfermeiros a assegurar simultaneamente o atendimento e socorro no serviço de urgência e os cuidados a doentes instalados nos corredores, quando estes já deveriam estar internados em enfermarias”, complementou.

Paulo Alves argumentou ainda serem “desconcertantes e claramente insuficientes” as medidas anunciadas pela Secretaria Regional da Inclusão e Cidadania para enfrentar o problema.

“Os números conhecidos tornam visível que a gestão das altas clínicas se agravou nos últimos anos e que houve desinvestimento em unidades de cuidados continuados, cuidados paliativos, lares e residências para idosos”, reforçou Paulo Alves, defendendo ser preciso “um verdadeiro reforço dos apoios financeiros e materiais às famílias que pretendem cuidar dos seus idosos em casa”.

Apesar de o Governo Regional apelar à responsabilização das famílias, o deputado considerou que tal só pode ser concretizado se forem criadas condições adequadas.

“É fundamental conhecer as reais capacidades e necessidades das famílias para acolher familiares doentes em casa. Sem apoio domiciliário e sem apoio formal concreto, por maior que seja a vontade das famílias, essa tarefa torna-se extremamente difícil”, declarou.

Paulo Alves vincou que “o problema agrava-se ainda mais” quando “a maioria dos idosos e doentes vive com pensões muito baixas”.

Na audição parlamentar, o JPP quer ouvir esclarecimentos das secretárias regionais da Saúde e Proteção Civil e da Inclusão, Trabalho e Juventude, e do diretor clínico do Sesaram, concluiu o deputado.

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