O festival de artes e música eletrónica Chronosphere, que vai realizar-se em Góis, entre 18 e 20 de setembro, está a ser desenhado para ser totalmente inclusivo para pessoas neurodivergentes, foi hoje anunciado.
O festival, que foi hoje apresentado à comunidade, numa sessão de esclarecimentos, vai decorrer no Parque de Lazer do Baião, em Góis, esperando receber cerca de duas mil pessoas por dia, tendo especial atenção à sustentabilidade e à inclusão de pessoas neurodivergentes, com espaços e equipas próprias, assim como atuações musicais a pensar na integração desse público.
O cartaz, que ainda não está completo, conta com atuações de nomes como o parisiense Bambounou, o londrino Dan Shake, o uruguaio Nicolas Lutz, a sul coreana Shubostar ou o holandês Young Marco.
“O Chronosphere não é uma rave. É um festival de cultura, arte e música”, afirmou a cofundadora do festival, Rita Silva, referindo que o evento está a ser pensado numa viagem entre “passado, presente e futuro”, incluindo no próprio cartaz, com várias gerações de produtores e de música eletrónica representados.
Segundo Rita Silva, o festival não pretende “drenar os recursos do território”, querendo trabalhar ativamente com a comunidade e tendo uma grande preocupação com a sustentabilidade (está previsto que cada bilhete leve à plantação de uma árvore no concelho).
Na sessão, o diretor do festival, Emiliano Fabbrici, afirmou que o festival pretende criar um espaço “onde todos se sintam seguros e bem-vindos”, com um cartaz com uma curadoria menos comercial e com artistas de diferentes gerações e origens.
A responsável pela área da neurodivergência do festival, Ligia Koijen, afirmou que todo o festival foi desenhado a pensar em pessoas neurodivergentes, tendo dois espaços específicos desenhados que permitem a sua regulação – zonas mais neutras do ponto de vista do som e da luz que permitem às pessoas “regular o seu sistema nervoso”.
Além disso, as próprias atuações dos DJ e produtores presentes terão em conta a neurodivergência: “Todo o festival vai baixar volumes, vai baixar sons, vai ficar tudo mais calmo”, aclarou.
A juntar a essas componentes, haverá equipas e pessoas dedicadas para ajudar “em tudo o que for necessário”, afirmou.
Segundo Ligia Koijen, o Chronosphere irá também garantir que pessoas surdas possam acompanhar as atuações, com espaços para receber “as vibrações”.
Para a especialista, o festival, ao garantir a inclusão de pessoas neurodivergentes, não cria “entraves para ninguém”.
“Quando estamos a desenhar para a neurodivergência, estamos a desenhar para toda a gente. Não anulamos ninguém”, salientou.
Também presente na sessão, o vice-presidente da Câmara de Góis, Nuno Bandeira, congratulou-se com a estreia deste festival no concelho, esperando que o evento tenha sucesso.
“Será o primeiro ano de um evento que irá crescer e colocar Góis no mapa”, disse, salientando o facto de a iniciativa aliar a música eletrónica às artes e à sustentabilidade.
Na sessão de esclarecimento, ficou também prevista uma outra sessão apenas com moradores desta vila do interior do distrito de Coimbra para acomodar algumas preocupações que possam ter quanto ao ruído.
O preço do bilhete do festival, que inclui campismo, é, de momento, de 75 euros para os três dias. O preço irá até aos 150 euros, se comprado na véspera do evento.