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SNS deve centralizar serviços para ganhar eficiência e resiliência - Vasco Antunes Pereira

LUSA
05-07-2026 09:01h

O CEO do Grupo Lusíadas Saúde defende a centralização de serviços e otimização de processos no SNS como essenciais para garantir a sustentabilidade e a eficácia do sistema, sublinhando que, face à sua dimensão, otimizações permitem um impacto orçamental significativo.

Questionado sobre o que um gestor privado do setor considera que se deve aplicar à gestão da saúde no Estado em Portugal, Vasco Antunes Pereira lembrou que para uma reforma estrutural seria "necessário alterar o modelo do enquadramento regulatório do serviço público", mas que, não havendo, "uma das coisas que não tem sido feita ou que, pelo menos, não com a intensidade e com a urgência que a mesma carece", e que deve ser implementada, tem a ver com a centralização de serviços.

"Claramente, eu procuraria eficiências por centralização, ganhava resiliência, ganhava capacidade de resposta e reduzia, se quiser, o número de notícias sensacionalistas que saem sobre o Serviço Nacional de Saúde [SNS], que, naturalmente, tem - reconheço - enormes desafios à data de hoje", respondeu o presidente executivo (CEO) da Lusíadas Saúde em entrevista à Lusa, quando questionado ainda sobre o que levaria da gestão privada para o sistema público que ajudasse a enfrentar os desafios atuais.

Com alguma "adaptação", que diz ser mesmo necessária, a centralização de serviços leva a grandes ganhos de eficiência com impacto também ao nível orçamental.

"Se pensarmos na dimensão do SNS - são 17 mil milhões de euros - é uma perfeita loucura. Portanto, qualquer pequena eficiência num sistema tão grande tem um impacto orçamental também enorme", refere.

Uma estratégia que Vasco Antunes Pereira lembrou já ter sido usada em alturas de crise, de maior pressão sobre o SNS, como na pandemia.

"Tenho poucos recursos, tenho uma casuística com variabilidade [por exemplo, mais pressão no inverno pelas gripes], o que é que eu tenho que fazer? Tenho que reduzir a quantidade de oferta, centralizá-la e garantir resiliência. Foi o que todos fizemos, privados e públicos, na altura da Covid. Só que a seguir voltámos outra vez a permitir que a política entrasse na gestão de um sistema que carece de profissionalismo e de menos política (...)", afirmou.

Um caminho, acrescentou, que o grupo manteve e que implementou, por exemplo, na área da maternidade.

"O Grupo Lusíadas Saúde teve em 2025 a maior maternidade do país. Não é a maior maternidade privada, é a maior maternidade do país. Registámos 4.009 partos num único hospital. Isto é um número que nos orgulhamos bastante, num ano muito difícil e que os nossos profissionais foram absolutamente de exceção a conseguir realizar toda esta atividade clínica durante este período. O que é que fizemos para poder ter hoje um hospital como o nosso Hospital Lusíadas de Lisboa tão capacitado para poder responder a estes desafios? Concentrámos no Hospital Lusíadas de Lisboa a maternidade que também tínhamos no Hospital Lusíadas Amadora. (...) Isto parece de somenos importância, mas não é", sublinha.

Mantendo o exemplo e justificando a estratégia, o CEO do Grupo Lusíadas Saúde recomenda "uma mera análise" à natalidade em Portugal e ao número de novas maternidades no setor público e privado nos últimos 10 a 15 anos: "É um crescente de maternidades e com elas um crescente de necessidade de recursos humanos e ao mesmo tempo uma estabilidade ou um decréscimo do número de partos", resumiu.

"Temos que olhar para os cuidados de saúde e ter a noção deste enquadramento e destas forças que estamos a sentir que são opostas e que criam a tensão sobre o sistema de saúde. Essa tensão sobre o sistema de saúde naturalmente que faz-se sentir de forma mais aguda em certas áreas. Aquilo que nós vemos nos órgãos de comunicação, naturalmente, é uma exploração de situações, é uma mediatização do problema que é muito mais abrangente", conclui, numa alusão às recentes notícias de várias mulheres grávidas que tiveram os bebés, por exemplo, em ambulâncias a caminho das maternidades.

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