SAÚDE QUE SE VÊ

Plataforma para otimizar sistema de saúde nasce no Porto e quer atrair empresas

LUSA
30-06-2026 20:05h

O desenvolvimento de novos produtos, serviços e soluções capazes de responder aos desafios, contribuindo para a sustentabilidade e resiliência do sistema de saúde fez nascer no Porto a Plataforma Regional de Especialização Inteligente (PREI), foi hoje anunciado.

Coordenada pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), do Porto, e pelo Centro Clínico Académico de Braga (2CA-Braga), o projeto foi hoje apresentada à ministra da Saúde, durante uma reunião que decorreu no auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte em que participaram representantes das 14 Unidades Locais de Saúde (ULS) da Região Norte, do IPO do Porto e da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde.

A iniciativa insere-se no âmbito da Estratégia de Especialização Inteligente do Norte (S3 NORTE 2027), que constitui o principal referencial regional para a definição de prioridades em investigação, desenvolvimento e inovação.

Ana Paula Martins, que elogiou o projeto na intervenção que fez a encerrar o encontro, esclareceu, em declarações no final, querer aproveitar a visita de Olivér Várhelyi a Portugal para lhe apresentar a plataforma, assinalando que esta "reúne os três pilares essenciais daquilo que é a política ou a estratégia europeia, sobretudo na área biotecnológica".

"Tem, por um lado, a investigação, como um pilar fortíssimo. A inovação, através da prestação de cuidados de saúde e tem a questão das empresas do setor, promovendo o crescimento da economia, que nós precisamos também para que os cuidados de saúde sejam mais sustentáveis", defendeu a governante.

O diretor do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), Cláudio Sunkel, explicou que o projeto surgiu de um desafio lançado há um ano pela CCDR-N, para "criar uma plataforma que pudesse enquadrar a investigação, a clínica, a transferência de tecnologia e as indústrias no norte de Portugal".

"Tivemos muito trabalho e hoje tivemos uma grande recompensa (…) as ULS [Unidades Locais de Saúde] vieram todas e estão todas disponíveis para trabalhar nesta plataforma. E o objetivo, basicamente, é que os investimentos e o desenvolvimento da saúde na região do norte seja coordenado e quem vai coordenar esta plataforma, vamos ser todos juntos", explicou.

Feito o levantamento, continuou, identificaram "quatro áreas fundamentais, medicina de precisão, dispositivos médicos, microbioma em saúde e investigação clínica, que abrange o trabalho que as ULS fazem e querem fazer para o futuro.

"O objetivo é a região Norte, ser a melhor região na área das ciências da vida e da saúde, competitiva a nível internacional, em termos de ensaios clínicos, em termos de investigação, em termos de captação de financiamento", disse Cláudio Sunkel.

O presidente do Centro Clínico Académico de Braga (2CA-Braga), Jorge Pedrosa lembrou que o desenvolvimento de uma nova solução para a saúde, seja um novo medicamento, uma vacina, um médico profilático, é um processo muito longo e começa muitas vezes numa investigação mais fundamental em modelos in silico [através de computador], depois em modelos pré-clínicos, antes de chegar ao doente e mesmo depois disso tem que chegar ao mercado".

Para ser dado o passo seguinte, continuou, "tem que haver empresas que sejam capazes de fazer protótipos, sejam capazes de proteger a propriedade intelectual e fazer um produto. Tudo isso é muito longo. E o que acontece é que no Norte de Portugal existem instituições de grande qualidade nas várias áreas, mas falta ligá-las".

Segundo o responsável da 2CA-Braga, "isto é importante para o doente, vai trazer novas soluções, mas também tem um impacto económico importante", lembrando que a "saúde é cara, cada vez mais cara" e que, por isso, as soluções que consiga "desenvolver em Portugal vão ser usadas não só aqui, mas também globalmente, no mercado global".

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