A ONU instalou três hospitais de campanha no estado de La Guaira para receber os feridos dos sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram aquela região da Venezuela na quarta-feira, anunciou hoje um responsável das Nações Unidas.
Segundo o coordenador das Nações Unidas na Venezuela, Gianluca Rampolla, o objetivo é prestar cuidados de saúde imediatos aos mais afetados, uma vez que os centros de saúde de Caracas não têm capacidade de resposta para todos.
O responsável disse ainda à agência EFE que a ONU está a coordenar com as autoridades venezuelanas a instalação de "abrigos multi-serviços" — com casas de banho e refeitórios — para todos os que perderam as casas no sismo.
Estes abrigos serão colocados o mais próximo possível das comunidades afetadas, para que os residentes não tenham de percorrer distâncias longas, explicou.
Gianluca Rampolla disse ainda que já chegou à Venezuela um avião com 20 toneladas de ajuda humanitária, incluindo mantimentos e sistemas para purificação de água.
O coordenador das Nações Unidas na Venezuela descreveu a situação em La Guaira como grave e alertou que ainda têm de chegar a muitos edifícios para verificar se há sobreviventes presos nos escombros.
Os dois grandes sismos que foram registados na Venezuela, na quarta-feira, causaram pelo menos 1.430 mortos e 3.328 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 41 portugueses e lusodescendentes, e outros 87 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.