A Ordem dos Médicos (OM) identificou como uma dificuldade no Douro e Trás-os-Montes a falta de médicos, advertindo que só o curso de Medicina não resolve o problema, pelo que propõe um plano específico para este território.
“Há aqui uma dificuldade e há aqui um problema que não pode ser negado e tem de ser resolvido: há falta de médicos. Há uma dificuldade de atração de médicos, não só, mas fundamentalmente na área hospitalar”, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Carlos Cortes, que falava em conferência de imprensa, depois de dois dias de visita a Vila Real.
Carlos Cortes visitou o hospital de Vila Real, sede da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), reuniu com a reitoria da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e visitou centros de saúde.
Este responsável disse que encontrou um “corpo clínico de grande qualidade” e um “hospital com enorme diferenciação”, mas também detetou a falta de médicos, anunciando que a OM vai apresentar um plano específico para fixar profissionais na ULSTMAD, que agrega três hospitais e abrange 21 concelhos.
Carlos Cortes voltou a falar na preocupação com o curso de Medicina, que vai arrancar em setembro, na UTAD, lembrando que o parecer da OM não era favorável para “iniciar já”.
“Mas, uma vez que houve essa decisão, o que nós queremos é que o curso comece bem”, realçou.
O bastonário salientou ainda que a Ordem se disponibilizou para ajudar no arranque deste curso, que “tem uma enorme exigência” e em que vários parceiros têm de estar envolvidos.
“Tem de estar envolvida a OM e ela não estava, têm de estar envolvidos os médicos da ULS e eles não estavam. Aquilo que nos foi reportado é que todos estes percalços, digamos, estão a ser resolvidos e, portanto, há aqui um caminho que não é em velocidade de cruzeiro, é uma velocidade de corrida, porque há pouco tempo para poder resolver muitas das situações que ainda estão em falta”, afirmou.
Com a criação do Mestrado Integrado em Medicina, que arranca com 40 vagas, espera-se que a região possa ter uma maior capacidade para fixar médicos.
“Não basta criar um curso de Medicina. E quem pensa que criar um curso de Medicina fixa médicos está muito enganado, até pelos exemplos que nós temos em Portugal”, advertiu, apontando para a Covilhã e Faro e lembrando que o Algarve é “uma das regiões mais deficitárias em médicos”.
Porque é “preciso mais alguma coisa”, a OM propõe um plano específico para a ULS e vai lançar o desafio à ULS, UTAD, câmaras e outros agentes dos setores social e privado para, em conjunto, criarem um consórcio.
“Não é só atrair os médicos, mas é também criar aqui condições absolutamente necessárias e indispensáveis para eles se manterem nesta região”, defendeu.
Depois, acrescentou, porque “nem todas as ULS são iguais”, a Ordem vai sensibilizar o Ministério da Saúde para a questão da ULSTMAD.
“Tem de existir uma discriminação (…). Tem de haver ferramentas, mecanismos que possam permitir que esta região possa atrair os médicos e outros profissionais de saúde”, defendeu, apontando que uma das áreas que o preocupou nesta unidade foi a da saúde mental.
Fernando Salvador, presidente do Conselho Sub-Regional de Vila Real da OM, concretizou algumas das propostas, que passam por dotar os conselhos de administração das ULS de territórios de baixa densidade operacional de uma maior autonomia, por reforçar o número de internos em hospitais do interior, estabelecer parcerias com outras entidades da região, nomeadamente com o ensino superior e municípios, para que possam implementar medidas relacionadas com habitação e fiscalidade.
“Obviamente que os incentivos fiscais, financeiros, que muitas vezes têm sido libertados pela tutela, são importantes, mas, grande parte das vezes, os médicos procuram projetos”, sublinhou.
Fernando Salvador considerou ainda que o curso na UTAD “pode ajudar”, mas interligado com um conjunto de outras medidas.