O Conselho Europeu manifestou hoje preocupação com a propagação da doença causada pelo vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda, defendendo uma vigilância permanente da evolução da situação.
Nas conclusões aprovadas na cimeira europeia de dois dias que hoje termina em Bruxelas, os líderes da União Europeia (UE) afirmam estar preocupados com “a propagação da doença causada pelo vírus Ébola na RDCongo e no Uganda” e saúdam a rápida disponibilização de fundos de emergência pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por outros parceiros internacionais e europeus.
Segundo o Conselho Europeu, esse apoio permitiu uma resposta imediata que inclui “vigilância epidemiológica, rastreio de contactos, preparação clínica e um aumento da capacidade laboratorial”.
A UE recorda que ativou assistência financeira e logística, à semelhança de epidemias anteriores, para apoiar o trabalho da OMS, dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças e de outros intervenientes humanitários e de saúde na linha da frente, responsáveis pela “coordenação e implementação de medidas urgentes de contenção e resposta”.
Os líderes europeus apelam, ainda, ao Conselho da UE e à Comissão Europeia para que “acompanhem a situação e a sua evolução” e, quando adequado, “definam e coordenem as prioridades operacionais relacionadas”.
Nas conclusões, o Conselho Europeu estabelece, ainda, uma ligação entre a epidemia de Ébola e os desafios globais mais amplos na área da saúde, sublinhando que as recentes crises sanitárias, incluindo a do hantavírus, demonstram “a importância de uma forte governação mundial da saúde e de respostas coordenadas”, em particular através da OMS.
A UE e os seus Estados-membros reiteram, por isso, o apoio à OMS no cumprimento do seu mandato para “reforçar a prevenção, preparação e resposta globais a situações de emergência”.
O número de mortos por Ébola na RDCongo elevou-se para 202, segundo o último balanço do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC África), agência de saúde pública da União Africana, com quase 900 casos confirmados.
No Uganda, foram confirmados 19 casos e duas mortes.
A atual epidemia corresponde à estirpe de Ébola de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera elevado o risco do surto na África Subsariana e baixo à escala global.
O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
O Ébola matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos.