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Saúde mental comunitária com quase 9.200 consultas em cinco anos em Ourém

Lusa
08-06-2026 15:19h

A Equipa Comunitária de Saúde Mental para a População Adulta de Ourém fez 9.195 consultas médicas e acompanhou 1.396 utentes em cinco anos, anunciou hoje a Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo.

Numa nota de imprensa, a ULS explicou que esta equipa, criada no final de maio de 2021, “tem assegurado cuidados de saúde mental no âmbito de uma intervenção multidisciplinar que aproxima a resposta especializada dos locais onde as pessoas vivem, trabalham e se relacionam”.

“Esta proximidade permite conhecer melhor cada utente no seu contexto familiar, social e comunitário, identificar precocemente sinais de descompensação e construir planos de acompanhamento mais ajustados às necessidades reais de cada pessoa”, garantiu a ULS.

Os cuidados prestados pela equipa de Ourém (distrito de Santarém) foram reforçados em 2022, com consultas domiciliárias, “permitindo acompanhar pessoas com maior fragilidade clínica, social ou dificuldade de deslocação, reforçar a adesão terapêutica, apoiar famílias e cuidadores, e intervir de forma mais atempada perante situações de maior risco ou vulnerabilidade”.

Desde 2021, foram também registados 278 internamentos de utentes do concelho no âmbito da Psiquiatria.

Em Ourém, esta equipa, que integra médicos psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e outros profissionais, atua cinco dias por semana.

“O acompanhamento inclui a definição de um plano individual de cuidados e a atribuição de um terapeuta de referência, permitindo uma resposta mais próxima, contínua e ajustada às necessidades de cada utente”.

A ULS esclareceu que a intervenção junto dos utentes “é desenvolvida em articulação com os cuidados de saúde primários de Ourém e com instituições locais, autarquia, estruturas sociais e projetos comunitários”.

“Esta articulação permite responder não apenas às necessidades clínicas, mas também aos fatores sociais, familiares e comunitários que influenciam a saúde mental, numa lógica de trabalho em rede e de responsabilidade partilhada”.

Citado na nota, o coordenador da Equipa Comunitária de Saúde Mental para a População Adulta de Ourém, Jorge Carvalheiro, destacou que “estes cinco anos mostram que a saúde mental não pode estar limitada ao hospital”, pois muitas das pessoas acompanhadas “precisam não só de cuidados clínicos convencionais, mas também de continuidade, presença, relação terapêutica e articulação com a família e com a comunidade”.

Questionado pela agência Lusa sobre o trabalho neste campo decorrente do impacto da depressão Kristin que, em janeiro, atingiu gravemente o concelho, Jorge Carvalheiro afirmou que a equipa tem, “habitualmente, uma ligação muito próxima com as estruturas de Ação Social” da Câmara.

“O que fizemos foi dar resposta, o mais rápido possível, a todas as referências que nos foram fazendo” no âmbito do Radar Social de situações de vulnerabilidade.

Segundo o médico psiquiatra, “houve um ou outro caso de pessoas que tinham doença mental e que não estavam a ser tratadas e que depois ficaram com as suas casas muito afetadas e nessa altura foram identificadas que tinham uma patologia”, tendo começado a ter acompanhamento.

Acresceram casos de pessoas que “já têm alguma predisposição” e, “depois da tempestade, ficaram muito mais ansiosas e com muito medo de que as coisas pudessem voltar a acontecer”.

“Há que fazer referência a uma questão que é a resiliência que sentimos por parte da generalidade das pessoas de Ourém, a entreajuda. Foram ajudar umas às outras a colocar as telhas, a colocar as telas. Isso favoreceu o facto de não se sentirem desamparadas”, observou Jorge Carvalheiro.

O Radar Social visa identificar e acompanhar pessoas em situação vulnerável.

Ourém integra a ULS da Região de Leiria à exceção da saúde mental. Nesta área, mantém-se na ULS do Médio Tejo, anterior Centro Hospitalar de que, no passado, o concelho fez parte.

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