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Hospital de Santo António diz que criar creche não faz parte do seu negócio principal

Lusa
08-06-2026 11:42h

A Unidade Local de Saúde de Santo António, no Porto, defendeu hoje que a creche para filhos dos seus funcionários, prometida desde 2008, não faz parte do seu negócio principal e continua sem apontar uma data para o projeto.

O projeto foi apresentado pela Casa do Pessoal e aprovado pela Segurança Social, em junho de 2008, e contemplava a totalidade de um edifício já existente, estando, à data, dependente da concretização de alterações impostas por uma lei de 2011, que impunha mudanças essencialmente no berçário.

Em declarações à Lusa, a propósito de uma reunião, no final de maio, com o Coordenador do Pacto Estratégico para a Saúde, o ex-ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes, designado pelo Presidente da República, a presidente da Casa do Pessoal afirmou não perceber “porque é que o projeto não avança” e voltou a apelar a que a situação “seja desbloqueada”.

“Esperamos que a reunião que tivemos com o Dr. Adalberto Campos Fernandes seja mais um alerta para a necessidade de concretizar este projeto. Há muitas famílias dependentes dele, é uma causa meritória e não percebemos o porquê desta demora em avançar”, explicou Teresa Marques.

Questionado pela Lusa sobre o projeto, a Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA) não adiantou nenhuma data para dar início aos trabalhos, salientando a complexidade da ideia: “As condições de instalação e equipamento de creches, as políticas e normas de gestão técnica, bem com a dotação de hierarquias e profissionais qualificados, são matérias reguladas e exigentes, que não fazem parte do 'core business' [negócio principal] da ULSSA, nem das aptidões técnicas dos seus dirigentes e funcionários”, aponta o texto.

Ainda assim, aquela entidade reconhece que “incorporar creches nos hospitais, raras no parque hospitalar do Serviços Nacional de Saúde, parece uma ideia virtuosa".

“O Centro Materno Infantil do Norte tem um espaço que, não tendo sido projetado para creche, chegou a ser equacionado para esse fim. Não tem estado devoluto, mas ocupado com necessidades assistenciais da ULSSA”, lê-se.

Na resposta à Lusa, a ULSAA aponta ainda que “a modalidade de exploração, e as responsabilidades neste domínio, estão associadas a enorme complexidade”.

“Estamos a trabalhar estas matérias de forma a dotar o futuro Conselho de Administração de segurança técnico-jurídica para tomar decisões”, assegura.

O projeto de 2008, cuja obra - orçada em 60 milhões de euros - recebeu incentivos comunitários, contemplava a construção de um novo edifício, a reconstrução do edifício da antiga Maternidade Júlio Dinis, atual CMIN, e a construção de um parque de estacionamento subterrâneo sobre o qual foi edificado um pequeno edifício que iria albergar uma creche.

Dezoito anos depois, a creche, que já foi autorizada pela Segurança social há vários anos, continua por concretizar.

Durante o período pandémico, "por razões operacionais", as instalações destinadas àquele equipamento foram também utilizadas para outros fins, nomeadamente enquanto decorriam obras em outros serviços, como foi o caso do serviço de Imuno-hemoterapia, que ocupou o espaço mais de ano.

Em novembro de 2023, aquela unidade de saúde garantiu que ia retomar o projeto da creche após a conclusão da transferência e certificação do serviço de imuno-hemoterapia, escusando-se, contudo, a avançar com qualquer data para o lançamento do concurso público.

Nesse mesmo ano, mas em março, em resposta à Lusa, o hospital tinha já indicado que o concurso público para a instalação de uma creche para os filhos dos profissionais seria lançado logo que estivessem livres as instalações ocupadas pelo serviço de Hematologia e Imuno-hemoterapia, o que não aconteceu.

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