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Gaza acusa Israel de incumprimento na deslocação de doentes na passagem de Rafah

LUSA
06-06-2026 19:48h

O ministério da Saúde de Gaza denunciou hoje o “incumprimento por parte de Israel” dos compromissos relacionados com a transferência de doentes para o Egito através da passagem de Rafah, afetando milhares de pessoas que precisam de cuidados.

Segundo um comunicado publicado nos seus canais de comunicação, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 11 de outubro de 2025, houve permissão de saída de 840 pacientes, um número que o ministério considera “insuficiente para atender as necessidades médicas” existentes.

“O número de pacientes autorizados a viajar reduziu de 150 por dia, três dias por semana, como foi acordado, para apenas 90 pacientes e respetivos acompanhantes nas últimas semanas”, indica no documento.

O ministério da Saúde acrescenta que foram adicionados 400 novos casos à lista de espera para atendimento médico, o que se traduz num número superior a 20.000 pacientes que aguardam agora autorização para sair do enclave.

Na nota de imprensa, também denuncia atrasos de mais de dois meses na concessão de autorizações de segurança para inúmeras pessoas, assim como o encerramento recorrente da passagem de Rafah.

As autoridades de Saúde de Gaza contabilizaram ainda que, desde outubro de 2023 e até ao dia de hoje, 72.971 pessoas morreram e 173.092 ficaram feridas em sequência da ofensiva israelita em Gaza.

Israel começou a bombardear o enclave em represália ao ataque de 07 de outubro de 2023, liderado pelo Hamas contra o território israelita, no qual morreram 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Segundo a última contagem do ministério da Saúde de Gaza, desde o cessar-fogo, em 11 de outubro do ano passado, morreram 951 pessoas e 2.984 ficaram feridas.

A estes números, somam-se mais de dois milhões de habitantes de Gaza que continuam a viver em tendas de campanha e refúgios improvisados, em condições de superlotação extrema e com acesso muito limitado aos serviços básicos.

A acumulação de lixo, escombros e águas residuais nos acampamentos favorecem a proliferação de pragas de roedores e insetos, enquanto que a falta de água potável e as condições perigosas provocaram um aumento de casos de infeções, diarreias e doenças de pele.

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