SAÚDE QUE SE VÊ

Ébola: Comissária europeia visita RDCongo para reafirmar apoio da Europa

LUSA
07-06-2026 11:00h

A Comissária Europeia para a Igualdade, Preparação e Gestão de Crises visita hoje a cidade de Bunia, na República Democrata do Congo (RDCongo), para reafirmar apoio europeu aquele país onde uma epidemia de Ébola já matou 86 pessoas.

Em comunicado, a União Europeia anunciou que Hadja Lahbib vai reunir com o governador militar de Ituri, província onde se situa a cidade de Bunia e visitar um centro de tratamento do Ébola financiado pela União Europeia, assim como um armazém e instalações logísticas da resposta humanitária.

“A minha presença aqui em Bunia, junto das populações afetadas, reflete a importância que a Europa atribui aos seus parceiros na região, bem como a esta crise, tanto do ponto de vista sanitário como humanitário”, explica Hadja Lahbib, citada no comunicado.

A Comissária destaca que “a Europa esteve presente desde o início, através de apoio financeiro, material e médico” e salienta que “conter uma doença numa zona de conflito, onde as necessidades humanitárias são elevadas e os deslocamentos populacionais são massivos, constitui um desafio imenso”.

“Perante este vírus, a deteção precoce dos casos e o isolamento rápido das pessoas infetadas são essenciais. No entanto, estas medidas só podem ser eficazes se assentarem na confiança das comunidades. Isso exige proximidade, diálogo permanente e informação clara. É por isso que a nossa presença no terreno é tão importante”, aponta Lahbib.

Para a comissária “é igualmente fundamental garantir um acesso seguro e sem obstáculos aos agentes humanitários e aos profissionais de saúde, para poderem chegar a todas as pessoas que necessitam de assistência”.

No texto, a União Europeia refere que, há duas semanas, uma ponte aérea humanitária da transportou 100 toneladas de material de emergência para o leste da RDCongo com medicamentos, tendas e equipamentos de proteção e que este material encontra-se agora distribuído no terreno.

Em 2025, a UE atribuiu mais de 90 milhões de euros em ajuda humanitária à RDCongo e mais de 20 milhões de euros ao Uganda.

O Ébola foi declarado a 15 de maio em Ituri, província fronteiriça com o Sudão do Sul e o Uganda, mas alastrou-se posteriormente às províncias congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul, também situadas na região oriental.

A epidemia expandiu-se igualmente para o Uganda, onde foram detetados até agora 19 casos, incluindo 14 casos considerados importados da RDCongo, entre os quais se contam duas mortes.

A epidemia corresponde à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de mortalidade oscila entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera “elevado” o risco de surto na África Subsariana e “baixo” à escala global.

A OMS acredita que o vírus começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração inicial de surto, que classificou a 17 de maio como “emergência de saúde pública de importância internacional”.

O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

MAIS NOTÍCIAS