Algumas dezenas de enfermeiros ameaçaram hoje, em protesto pelas ruas de Maputo, levar a Ordem da classe a tribunal caso não ratifique os resultados das eleições de abril, após o mesmo candidato vencer duas vezes.
“Eles já chutaram tudo aquilo que é legalidade (…). Todo mundo está a ver e até então não está a fazer nada. Então, nós também vamos tomar medidas drásticas (…). Em princípio vamos levar ao tribunal que é para o elenco eleito tomar posse. Não era necessário, mas vamos ter de levar, porque estamos a ver que de uma forma pacífica não há vontade de isso acontecer”, disse Raul Piloto, presidente da Associação Nacional dos Enfermeiros de Moçambique (Anemo), durante uma marcha, em Maputo.
Com escolta policial, munidos de panfletos e canções reivindicativas, além de vuvuzelas e apitos, os enfermeiros reuniram-se em frente ao Ministério da Saúde e seguiram em marcha até à sede da Ordem dos Enfermeiros para exigirem a tomada de posse do “candidato duas vezes eleito”.
“Chegámos até à marcha, porque estamos a ver que em Moçambique não basta só ganhar as eleições, parece que é necessário também reivindicar”, disse Raul Piloto.
Durante o protesto, que decorreu sem incidentes, recordaram que Jeremias Matecateca foi eleito bastonário com “voto esmagador” na primeira eleição, entretanto anulada, e voltou a vencer o segundo escrutínio de 09 de abril, com 57% dos votos, tendo a Ordem emitido um comunicado a confirmar a vitória provisória do candidato.
A ratificação dos resultados definitivos e a tomada de posse do novo bastonário foi suspensa devido a uma providência cautelar submetida por uma das candidatas, mas considerada improcedente pelo tribunal.
Entretanto, a Mesa da Assembleia Geral da Ordem dos Enfermeiros de Moçambique anunciou a suspensão imediata do processo eleitoral por decisão judicial, no âmbito de uma outra providência cautelar, indica um documento publicado hoje e consultado pela Lusa.
Apesar dessa posição, os enfermeiros moçambicanos marcharam hoje de manhã contra a morosidade na ratificação e posse do novo elenco, considerando os processos na justiça estratégias para a atual direção da Ordem, da qual fazem parte dois candidatos, se manter no poder.
“Vamos marchar para mostrar que não estamos felizes com essa posição na qual a Ordem está a marginalizar a nossa classe da enfermagem”, referiu Raul Piloto, prometendo levar o caso também até ao Ministério da Saúde para impedir o pagamento de quotas e o exercício de funções da Ordem até que o novo bastonário tome posse.
“Se o Ministério da Saúde permitir que a Ordem aja enquanto está fora do seu mandato, aí nós não vamos lutar só com a Ordem. Vamos lutar com a Ordem e com o próprio ministério, que estará a favor da Ordem”, avisou o presidente da associação dos enfermeiros moçambicanos.
O bastonário eleito, Jeremias Matecateca, juntou-se ao protesto e avançou que se vão usar todos os recursos disponíveis para retirar do poder a atual direção da Ordem dos Enfermeiros e para que os “legítimos vencedores” possam avançar com o trabalho.
“Este é o primeiro passo, se cederem logo após esta marcha, não haverá necessidade para o efeito”, garantiu Matecateca.
A marcha pacífica foi convocada pela Anemo e pela Associação das Parteiras de Moçambique (Aparmo), com esta última a garantir que apoiou nesta eleição o candidato Jeremias Matecateca.
“Votámos no candidato Jeremias Matecateca para bastonário da Ordem e ele não tomou posse até agora”, lamentou Otília Felizarda, presidente da Aparmo.