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Ébola: Reabertura do aeroporto de Bunia no epicentro da epidemia na RDCongo

LUSA
02-06-2026 10:51h

O aeroporto de Bunia, capital da província de Ituri, no epicentro de epidemia do Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), reabriu hoje após um encerramento de 10 dias, anunciaram as autoridades congolesas.

Após uma avaliação do "processo de vigilância" da epidemia, "as condições estão agora reunidas para permitir uma retoma progressiva e segura das atividades aéreas", indicou hoje o Ministério dos Transportes, num comunicado.

Serão implementadas medidas de proteção, tais como a medição sistemática da temperatura e a obrigatoriedade de desinfetar as mãos antes do embarque.

Em 23 de maio, as autoridades congolesas suspenderam temporariamente todos os voos comerciais para e de Bunia, aeroporto localizado no epicentro de epidemia do Ébola, com exceções estritamente regulamentadas para os voos sanitários e humanitários.

O ministro da Saúde da RDCongo, Samuel Roger Kamba, referiu, nessa ocasião, a necessidade de garantir a implementação de medidas de saúde para os viajantes.

Em 28 de maio, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, desaconselhou a restrição da entrada de viajantes provenientes da RDCongo devido à epidemia do Ébola, considerando que "não ajuda muito" a conter o surto.

"A OMS recomenda não proibir viagens porque não ajuda muito (...).A melhor abordagem é intensificar as medidas na origem e fornecer apoio", declarou Tedros, na noite de quinta-feira quando chegou a Kinshasa.

Para o responsável, que viajou no sábado para Ituri, entre os desafios de contenção está o longo conflito que assola o leste do país, motivo pelo qual pediu um cessar-fogo entre o Exército congolês e os grupos rebeldes que operam na zona.

Até agora, países como Uganda, Ruanda, Estados Unidos, Canadá, México, Bahamas, Jordânia e Bahrein tomaram medidas de restrição de viajantes provenientes da RDCongo, de Uganda ou do Sudão do Sul, e até o encerramento de fronteiras.

A OMS declarou em 15 de maio a epidemia de Ébola no leste da RDCongo, considerando que o epicentro está em Ituri.

A RDCongo e o Uganda relataram 263 casos e 43 mortes confirmadas por Ébola, duas semanas após a confirmação dos primeiros casos, anunciou na segunda-feira a OMS.

Em 17 de maio, a OMS classificou esta epidemia como "emergência de saúde pública de importância internacional".

A organização, que desencadeou um alerta sanitário internacional, elevou de "alto" para "muito alto" o risco na RDCongo e no Uganda, enquanto o risco continua "alto" ao nível da região da África subsariana e "baixo" a nível global.

Dez países africanos, entre eles Angola, estão em "alto risco" de serem afetados pela epidemia na RDCongo e em Uganda, por partilharem fronteira com essas duas nações, segundo a OMS.

Este é o 17.º registo da doença na RDCongo desde que o vírus foi detetado pela primeira vez, em 1976, junto ao rio Ébola.

A RDCongo, nação vizinha de Angola, é regularmente afetada por surtos e epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

O vírus Bundibugyo, na origem da atual epidemia de febre hemorrágica, está presente em três províncias congolesas, bem como na vizinha Uganda, onde foram registados até agora 11 casos, incluindo um óbito, segundo dados divulgados na segunda-feira pelo Ministério da Saúde do Uganda.

Não existe nem vacina, nem tratamento específico para o vírus Bundibugyo.

O Africa CDC prometeu uma vacina até ao final do ano e a OMS está a trabalhar, conjuntamente com as autoridades da RDCongo, em ensaios clínicos.

O Ébola causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo.

A epidemia mais mortal na RDCongo causou quase 2.300 mortes em 3.500 doentes registados, entre 2018 e 2020.

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