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PS acusa Governo de teimosia na inflação, Montenegro lembra opções de Costa

LUSA
27-05-2026 17:36h

O secretário-geral do PS acusou hoje o Governo de teimosia ao não mitigar os efeitos da inflação, mas o primeiro-ministro invocou a necessidade de prudência e que o executivo de Costa demorou um ano para tomar medidas.

Estas posições foram trocadas entre José Luís Carneiro e Luís Montenegro no debate quinzenal, no Parlamento, após o líder dos socialistas advertiu que Portugal é um dos países da União Europeia que regista maior subida da inflação.

José Luís Carneiro considerou insuficientes as medidas de mitigação da inflação até agora tomadas pelo Governo e apontou dados sobre subidas elevadas dos custos ao nível de bens alimentares não transformados, ou nos setores dos combustíveis (gasóleo e gasolina), rendas ou habitação.

“Desde que tomou posse, aumentou os impostos sobre os combustíveis e os portugueses estão a pagar as suas decisões. Até quando vai manter esta insensibilidade e esta teimosia?”, perguntou.

Luís Montenegro respondeu que o último executivo de António Costa também se deparou com uma conjuntura de alta da inflação a partir de 2022, após a pandemia da covid-19 e na sequência da intervenção militar russa na Ucrânia.

“O Governo socialista, do qual o senhor deputado [José Luís Carneiro] fez parte teve uma taxa de inflação mais do dobro do que a atual e demorou mais de um ano a tomar medidas. Medidas que agora o PS reclama que sejam tomadas numa semana”, reagiu.

De acordo com Luís Montenegro, esse Governo socialista, como atual, perante este fenómeno da inflação, procuraram responderam com prudência”.

“É isso que estamos a fazer com sentido de responsabilidade”, sustentou.

O primeiro-ministro insurgiu-se, sobretudo, contra as críticas de José Luís Carneiro de que os seus governos aumentaram os impostos sobre os combustíveis e de que revelam insensibilidade social.

O senhor deputado tem de arranjar outros temas, porque esse tem faz ricochete. O senhor deputado não tem lições a dar, mas tem isso sim desculpas a apresentar”, reagiu o líder do executivo.

Luís Montenegro acusou ainda José Luís Carneiro de não apresentar uma única prova de que se verificou um aumento de impostos. E deixou mesmo um desafio.

“Caso queira mostrar ao país que o Governo decidiu um aumento de impostos, sem esse aumento tenha sido alvo de uma decisão tomada no parlamento, tem que o mostrar. Tem que mostrar sob pena de estar a acusar o Governo de uma conduta ilegal e inconstitucional. E de estar, digamos, a contemporizar com essa circunstância”, advertiu.

Porém, Luís Montenegro admitiu que José Luís Carneiro possa estar a falar “de outra coisa”, ou seja, “de um caminho que o Governo tinha iniciado antes desta crise para, de forma faseada, quando houvesse condições de mercado. com baixas significativas do preço, recuperar um desconto a que está obrigado a terminar”.

“Senhor deputado [José Luís Carneiro], deixe-me dizer-lhe, este Governo, com a sua sensibilidade social, suspendeu esse processo de recuperação dos descontos”, acentuou o primeiro-ministro.

Além da questão ao aumento do custo de vida, neste debate, o secretário-geral do PS também atacou o Governo pela sua atuação na área da saúde, considerando que se revela “um falhanço”.

“Saíram agora dados oficiais e houve menos 760 mil consultas durante 2025 nos centros de saúde. Significa menos duas mil consultas por dia, significa que todos os dias há milhares de portugueses que, não acedendo à consulta, deixam de poder fazer exames de diagnóstico e, eventualmente, de diagnosticar doenças que exigiriam tratamento”, declarou.

Na resposta, o primeiro-ministro apresentou outros números: “Aumentámos em cinco por cento as consultas médicas ao domicílio; aumentámos em 13,8% as consultas de enfermagem”.

“Criámos um novo sistema nacional de acesso a consulta e a cirurgia para diminuir os tempos de espera e estamos a promover a reforma no Instituto Nacional de Emergência Médica. Estamos, também, efetivamente, a concretizar a complementaridade da capacidade instalada no nosso sistema, entre os setores público, privado e social, nomeadamente através de medidas que foram de inspiração de governos socialistas, mas que nunca se materializaram, caso das unidades de saúde familiar modelo C”, acrescentou.

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