A missão da ONU na República Democrática do Congo (MONUSCO) ofereceu apoio à resposta ao surto de ébola no leste do país, onde já foram registadas 88 mortes.
A MONUSCO informou que reforçou os controlos sanitários nas instalações e o uso de equipamento de proteção individual pelo pessoal médico, garantindo acompanhar “de perto” as orientações das autoridades congolesas e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A missão da ONU afirmou ainda que continuará mobilizada para apoiar “uma resposta eficaz” ao surto, declarado na passada sexta-feira.
As autoridades congolesas anunciaram entretanto a criação de três centros de tratamento de ébola na província de Ituri, epicentro da epidemia.
O ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, afirmou durante uma visita a Bunia, capital e maior cidade de Ituri, que os hospitais da região estão “sobrecarregados devido ao aumento do número de doentes”.
“Estamos a preparar-nos para ter centros de tratamento nos três locais, a fim de podermos expandir as nossas capacidades”, declarou.
A OMS declarou no domingo uma emergência de saúde pública de interesse internacional devido ao surto, que já soma mais de 300 casos suspeitos na RDCongo e dois no país vizinho Uganda.
Segundo a OMS, uma equipa de 35 especialistas e sete toneladas de material médico de emergência chegaram entretanto a Bunia para reforçar a resposta sanitária.
As autoridades sanitárias indicam que o atual surto é provocado pelo vírus bundibugyo, uma variante rara do ébola para a qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados.
No surto anterior de ébola na RDCongo, entre 04 de setembro e 01 de dezembro de 2025, morreram 45 pessoas na província de Kasai (centro).
O vírus transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
Segundo a OMS, apresenta uma taxa de mortalidade entre 60% e 80%.
Trata-se do 17.º surto de ébola registado na RDCongo desde a identificação da doença em 1976.
De acordo com os padrões da OMS, isso indica que o evento é grave e que existe um risco de propagação internacional que requer uma resposta internacional coordenada.