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Moçambique quer união dos países lusófonos na prevenção do cancro

Lusa
22-04-2026 15:14h

O ministro da Saúde moçambicano admitiu hoje ser desafiadora a prevenção de cancros em Moçambique, pedindo a união de esforços entre os países lusófonos para construir os sistemas de saúde “mais fortes e resilientes”.

“Moçambique atravessa neste momento o triplo fardo de doenças e um dos principais problemas que temos nas doenças crónicas não transmissíveis, o cancro, está a ser desafiador para os sistemas de saúde e, como sabem, todos têm acompanhado a nível global, começamos a ter doenças muito mais complexas do que eram antigamente”, disse Ussene Isse.

O governante falava, em Maputo, na abertura da sétima conferência da Organização Africana de Pesquisa e Treino em Cancro (AORTIC, sigla inglesa), com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), para reforçar a promoção da cooperação internacional e fortalecer as estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro.

Ussene Isse considerou o evento “uma oportunidade ímpar” para reforçar os sistemas nacionais de saúde, apelando para o investimento nos cuidados de saúde primários para a prevenção das doenças crónicas não transmissíveis, entre as quais o cancro.

“[Se] conseguimos criar robustez nos cuidados de saúde primários, teremos ganhos e iremos reduzir grandemente as complicações que temos hoje da diabetes, da hipertensão arterial, do cancro e agora do trauma e também da saúde mental. A saúde mental começa a ser também o outro desafio que está a aparecer com muita frequência”, frisou o ministro da Saúde.

Face ao aumento de casos da doença em Moçambique, o governante defendeu união de esforços entre os PALOP no fortalecimento dos sistemas de saúde.

“Temos que nos unir como África. Temos que nos unir como PALOP e tornar a nossa voz [em] uma voz muito forte para construirmos, de facto, os serviços e sistemas de saúde mais fortes, mais resilientes para responder à saúde dos nossos povos”, acrescentou Ussene Isse.

Na ocasião, a AORTIC e os PALOP assinaram um memorando de entendimento, que integra também a ratificação da “Declaração de Maputo”, que prevê a coordenação e partilha de informações sobre o cancro, para uma melhor compreensão da carga real da doença e contribuir para desenvolver as respostas de saúde pública baseadas em evidências e adaptadas às realidades dos países lusófonos.

A presidente da AORTIC, Cesaltina Lorenzoni, recordou que o país registou 26 mil novos casos de cancro por ano, com cerca de 17.000 mortes, citando dados do Ministério da Saúde divulgados em 2025, lamentando a chegada tardia da população nos centros de saúde para tratar as doenças, o que, alertou, reduz as hipóteses de cura.

Para a responsável, esses dados que colocam Moçambique a liderar a lista com maior número de casos de cancro a nível da lusofonia, reforçam de forma clara a urgência de expandir o rastreio, a vacinação e a educação comunitária sobre a matéria de prevenção da doença.

Em segundo lugar está a Angola, com 18.000 casos da doença por ano e 12.000 mortes, seguida da Guiné-Bissau com 2.500 casos anuais, além de Cabo Verde com 1.200 casos/ano e São Tomé e Príncipe com 500 casos.

A presidente da AORTIC avançou ainda desafios comuns desses países para fazer face à doença, entre os quais o diagnóstico tardio, a falta de registos populacionais, além da escassez de oncologistas e outras áreas relacionadas com o cancro e o acesso limitado a radioterapia na maior parte dos países da lusofonia.

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