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Hospital moçambicano alerta para problemas vocais em professores e cobradores

Lusa
16-04-2026 14:30h

Cerca de dez pessoas procuram todos os meses o Hospital Central de Nampula (HCN), norte de Moçambique, com problemas vocais, situação que afeta sobretudo professores e cobradores de viaturas de transporte público informal, foi hoje divulgado.

“Temos recebido muitos casos de professores com disfonia. Em média, cerca de 10 pacientes por mês chegam ao serviço, e muitos procuram ajuda tardiamente, quando já existem lesões nas pregas vocais”, explicou Ilídio Nhancale, terapeuta da fala no HCN, em conferência de imprensa alusivo ao Dia Mundial da Voz, que se assinala hoje.

Nhancale explicou que o profissional que trabalha com a voz tem maior risco de apresentar alterações vocais, como a disfonia, que apresenta diversas causas, incluindo fatores psicológicos, orgânicos e comportamentais.

“Os casos de alteração vocal, conhecidos como disfonia, têm maior incidência em profissionais como professores, cobradores de transporte semicoletivo, vulgo 'chapa-100', jornalistas e outros trabalhadores que dependem intensamente da voz para exercer as suas funções”, explicou o terapeuta.

Face ao problema, e sob o lema “Cuidar das nossas vozes”, o HCN tem vindo a desenvolver atividades de sensibilização sobre a importância da saúde vocal, explicando que a voz é produzida na laringe, através da expulsão do ar durante a respiração, fazendo vibrar as pregas vocais, processo que permite a fala.

“O esforço vocal prolongado em ambientes ruidosos e sem condições adequadas, como salas de aula com elevado número de alunos, tem colocado os professores entre os grupos mais vulneráveis, com registo frequente de casos de disfonia e lesões nas pregas vocais”, acrescentou Ilídio Nhancale.

Por conta disso, o especialista em terapia de fala alerta que, quando não tratadas atempadamente, as alterações vocais podem evoluir para complicações mais graves, incluindo afonia, pólipos, nódulos e, em situações mais severas, necessidade de intervenção cirúrgica, com impacto directo na qualidade de vida e na atividade profissional.

Hidratação adequada, evitar o consumo de tabaco e álcool, reduzir o uso excessivo da voz, evitar ambientes com poeiras ou ar condicionado intenso e procurar assistência médica ao surgirem sintomas persistentes por mais de uma semana são recomendações transmitidas pelos especialistas.

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