O Presidente são-tomense defendeu ontem a necessidade de se apostar na formação e investigação para melhorar e aumentar a produção agrícola em prol da segurança alimentar, e lamentou a situação de furtos que têm desmotivado os agricultores.
“Hoje reconheço a importância que me foi transmitida da pesquisa, dos cuidados de tratamento, mas sobretudo da formação. O que vimos, se não houver uma componente de formação, capacitação dos criadores, dos produtores, então a nossa caminhada será interrompida por efeitos naturais”, declarou Carlos Vila Nova.
O chefe de Estado são-tomense, que termina o mandato este ano, falava no final da sua primeira visita a instituições afetas ao Ministério da Agricultura, nomeadamente a Base Experimental de Culturas Alimentares e Frutícolas (Becaf) e Centro de Aperfeiçoamento Técnico Agropecuário (CATAP).
“Podemos ter terras, o Ministério pode fornecer ingredientes, insumos, pesticidas, mas não temos homens, não temos produtores, não temos criadores, não temos transformadores, porque temos muitos curiosos”, apontou Carlos Vila Nova.
O Presidente da República prometeu exercer influência para a melhoria do Centro de Aperfeiçoamento Técnico Agropecuário (CATAP), que é um dos polos de formação mais antigo do arquipélago e que contribui para a capacitação de vários técnicos do setor.
“É preciso que as instituições diretivas do país também se dediquem a isso (…), fazer dele, de facto, um centro de funcionamento permanente. Não pode ser um centro de funcionamento intermitente, como é o caso. Isso requer, de facto, condições de planificação, uma estratégia, ter uma visão assertiva para o centro”, apelou.
Durante o encontro com responsáveis e técnicos do Ministério da Agricultura, o chefe do Estado são-tomense foi confrontado com a questão dos furtos e roubos nas parcelas dos agricultores, admitindo não ter uma resposta cabal para o problema que perdura há anos.
“Produziu-se um pacote legislativo de furto nas parcelas. Eu promulguei este documento, mas promulguei para dar satisfação à governação [de 2018-2022], para que não tivesse argumentos, mas disse-lhes que não iriam resolver porque o problema não estava na lei do furto das parcelas”, enfatizou.
O Presidente da República sublinhou que, além da lei, é preciso implementar uma ação e uma dinâmica para contrariar o fenómeno, admitindo também a necessidade de “melhorar o ambiente social e económico deste país para que haja menos furtos”.
Desde a aprovação da lei contra furtos nas parcelas agrícolas no Governo liderado pelo ex-primeiro-ministro Jorge Bom Jesus, do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), passaram-se dois Governos, nomeadamente da Ação Democrática Independente (ADI,) da mesma família política do Presidente da República, e o atual, cujo primeiro-ministro, Américo Ramos, foi escolhido pelo chefe de Estado, mas os agricultores dizem que os furtos não pararam nem diminuíram, comprometendo a produção.