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Farmacêuticos especialistas em análises clínicas reduzidos a um terço no SNS - sindicato

Lusa
25-03-2026 11:32h

O Sindicato Nacional dos Farmacêuticos (SNF) alertou hoje que o SNS dispõe apenas de um terço desses profissionais especialistas em análises clínicas do que tinha há 20 anos, alegando que as vagas disponíveis são utilizadas para contratar médicos.

“Nos últimos 20 anos, os farmacêuticos de análises clínicas ficaram reduzidos a um terço do que eram”, constatou o SNF num documento a que a agência Lusa teve acesso, que salienta que, à medida que os farmacêuticos especialistas se vão reformando, as unidades locais de saúde (ULS) substituem essas vagas por lugares para médicos.

“Nós estamos a ser extintos nas análises clínicas. Já somos poucos e vamos ser cada vez menos”, realçou o sindicato, para quem a situação é preocupante, tendo em conta que 70% a 80% das decisões clínicas assentam em exames laboratoriais, que são uma “peça central” da medicina moderna, “embora muitas vezes invisível”.

Segundo o SNF, a falta de concursos públicos, associada a “condições remuneratórias desajustadas” do grau de diferenciação profissional e as limitações funcionais, têm contribuído para esta redução progressiva do número de farmacêuticos especialistas em análises clínicas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

As decisões de contratação na área laboratorial “tendem a privilegiar o reforço do quadro médico e a dispensar farmacêuticos, não por insuficiência técnica, mas porque a arquitetura de poder condiciona as opções de contratação e protege equilíbrios corporativos instalados”, lamentou a estrutura sindical.

O SNF referiu também que, nos serviços laboratoriais do SNS, os cargos de direção e os centros de decisão “permanecem fortemente concentrados na profissão médica”, uma “centralização de poder institucional” que o sindicato alega que tem tido consequências práticas.

“Em vários contextos, os farmacêuticos são impedidos de exercer plenamente funções para as quais são preparados e possuem competência reconhecida”, adiantou a estrutura sindical, apontando exemplos da exclusão de escalas de urgência e da proibição de realizar exames diferenciados, de elaborar ou assinar relatórios, entre outros.

Na prática, o SNF considerou que a competência dos farmacêuticos é utilizada “quando ela é conveniente, mas a mesma é negada quando implica partilha de poder, reconhecimento profissional ou reposicionamento hierárquico”.

Além disso, segundo o sindicato, a formação especializada de quatro anos em análises clínicas – a chamada residência farmacêutica que abrange cerca de 100 profissionais este ano – está a enfrentar “limitações graves”.

“A formação dos residentes farmacêuticos tem sido dificultada em vários contextos, obrigando à reorganização de estágios e criação de soluções alternativas para garantir a qualidade técnico-científica da residência”, alertou o SNF, adiantando que, em alguns casos, foi mesmo necessário deslocar os residentes para outras instituições ou criar percursos formativos complementares assegurados pelos próprios farmacêuticos especialistas.

O SNF adiantou ainda que o Colégio de Especialidade de Patologia Clínica da Ordem dos Médicos tem emitido orientações que “promovem a recusa de colaboração no processo formativo da residência farmacêutica, assumindo-se como um bloqueio corporativo explícito”.

“Alguns profissionais que hoje recusam colaborar com a residência farmacêutica, beneficiaram durante a sua formação (internato médico) da transmissão de conhecimento, orientação de trabalhos científicos e acompanhamento da prática laboratorial especializada, precisamente por parte de farmacêuticos especialistas”, considerou o sindicato.

À Lusa, a presidente do sindicato adiantou que já foram pedidas reuniões à Administração Central do Sistema de Saúde e à Direção Executiva do SNS sobre as dificuldades registadas na residência farmacêutica, mas “continua tudo na mesma”.

“Não há respostas. Não vemos uma solução à vista”, lamentou Helena Tertuliano.

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