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Quase 30% dos habitantes de Hong Kong sentem-se deprimidos – inquérito

Lusa
05-03-2026 15:03h

Quase 30% dos habitantes de Hong Kong admitiram sentir depressão, a taxa mais elevada de sempre, segundo um inquérito divulgado hoje, que alerta ainda para “uma crise de saúde mental” entre os jovens adultos.

Os níveis de depressão e ansiedade registados entre setembro e novembro de 2025 são os piores desde que a Associação de Saúde Mental de Hong Kong (MHAHK, na sigla em inglês) começou a realizar este inquéritos, em 2012.

Angela Cui Jialiang, professora da Universidade Chinesa de Hong Kong, que colaborou no inquérito, disse numa conferência de imprensa que mais de um em cada cinco habitantes disse sentir “ansiedade moderada a grave”.

Além disso, 9% dos 2.695 inquiridos admitiu sentir “ansiedade grave”, um aumento de 41% desde o último inquérito, realizado em 2023, e a maior subida registada nas sete edições do estudo.

Angela Cui apontou ainda como preocupante um aumento de 21% na proporção de habitantes que sente “depressão grave ou muito grave” – um nível no qual é recomendado o tratamento e aconselhamento profissionais.

No entanto, mais de metade (55%) dos inquiridos rejeitou ou expressou dúvida em recorrer à ajuda de profissionais, sobretudo por falta de tempo ou por acreditar que conseguem lidar sozinhos com o stresse.

Mas o inquérito revelou que os habitantes que não tomaram qualquer ação para lidar com a saúde mental apresentaram índices “significativamente mais elevados” de depressão e ansiedade.

Entre os que procuram ajuda, os assistentes de inteligência artificial (IA) tornaram-se a sexta opção mais comum. Mas a MHAHK sublinhou que a ajuda da IA não parece dar resultado com níveis comparativamente piores.

“Após a pandemia e as mudanças no ambiente socioeconómico nos últimos anos, os habitantes continuam a enfrentar uma enorme pressão para se adaptarem”, explicou Angela Cui.

A situação da saúde mental dos jovens adultos, dos 18 aos 24 anos, conhecidos como a geração Z, é a mais preocupante, com 43,5% afetados por depressão e quase um terço (32,7%) por ansiedade, sublinhou a investigadora.

Os dados parecem indicar que, no caso da geração Z, “o uso excessivo de dispositivos eletrónicos está intimamente associado ao sofrimento emocional”, acrescentou Angela Cui.

O diretor adjunto da MHAHK defendeu que as instituições de ensino superior deviam tornar obrigatório um curso de “primeiros socorros em saúde mental” para reforçar “a capacidade de autoajuda e apoio entre estudantes”.

Stephen Wong apelou ao Governo de Hong Kong para promover a educação sobre o uso saudável de dispositivos digitais e da Internet, incluindo sobre "períodos de descanso digital".

Além disso, a sociedade “deve reconhecer os riscos potenciais de os indivíduos emocionalmente fragilizados dependerem excessivamente das interações virtuais” com assistentes de IA, alertou Wong.

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