O BE/Açores defendeu hoje um “financiamento adequado” para os três hospitais da região, para acabar com os “constantes défices”, e pediu estabilidade laboral para os profissionais que estão a recibos verdes no Serviço Regional de Saúde (SRS).
Segundo um comunicado de imprensa, o partido “defende que os hospitais da região têm de ter um financiamento adequado ao seu funcionamento para acabar com os constantes défices e acumulação de dívidas que acontece todos os anos”.
No final de uma reunião com a administração do hospital da ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, o deputado do BE açoriano António Lima alertou também “para o aumento [do número] dos trabalhadores a recibos verdes em áreas que são essenciais para o funcionamento do SRS, a quem devia ser garantida estabilidade laboral”.
António Lima, citado na nota, disse ser muito preocupante que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) “não autorize a contratação do pessoal [de] que os hospitais precisam, o que obriga à contratação de trabalhadores a recibos verdes para dar resposta aos utentes”.
No hospital da Terceira estão cerca de 76 trabalhadores a recibos verdes, a maioria enfermeiros, mas o executivo de coligação “autorizou a contratação de apenas 16 enfermeiros”, segundo o partido.
“Na prática, o Governo está a obrigar os hospitais a manter trabalhadores na precariedade, porque eles são precisos”, vincou.
De acordo com dados oficiais recentes, estão “cerca de 230 trabalhadores a recibos verdes” a exercer funções nos hospitais do SRS, disse.
“Recentemente foram regularizados mais 500 trabalhadores com contratos precários nos hospitais, contratados no período de combate à pandemia de covid-19. Mas, entretanto, o problema volta a crescer de forma incompreensível”, adiantou ainda o partido.
António Lima acusa o Governo Regional liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro de “estar a criar um problema para, depois, através de um novo processo de regularização extraordinária, vir dizer que resolveu o problema”.
Ainda em relação ao financiamento dos hospitais, o BE/Açores considera positivo que o executivo “tenha pago uma dívida gigantesca para com os fornecedores, mas alerta que se o financiamento não for devidamente reforçado, o problema vai voltar em breve”.
O partido também considera que “é necessário haver mais transparência em relação a esta operação financeira realizada pelo Governo, porque, na verdade, a dívida não desapareceu: os hospitais deixaram de ter dívidas aos fornecedores, mas passaram esta dívida para os bancos e vão ter de suportar juros elevados”.
Os três hospitais dos Açores estão localizados nas ilhas de São Miguel (Divino Espírito Santo), Terceira (Santo Espírito) e Faial (Horta).