O presidente da Câmara da Marinha Grande, Paulo Vicente, acusou hoje a E-Redes de estar a retroceder na reposição do fornecimento de energia elétrica ao concelho, gravemente afetado pela depressão Kristin.
Numa nota de imprensa, Paulo Vicente denuncia o retrocesso na reposição do abastecimento de energia elétrica, situação que “permanece crítica e inaceitável” desde 28 de janeiro, quando o concelho do distrito de Leiria foi atingido pela depressão.
“Este domingo, 08 de fevereiro, 27% da população do concelho permanece sem energia elétrica, o que representa 6.812 clientes ainda afetados. Em 05 de fevereiro, encontravam-se cerca de 15% dos habitantes do concelho sem eletricidade (aproximadamente 3.900 clientes)”, lê-se na nota de imprensa.
Para Paulo Vicente, a situação atingiu “um nível considerado inaceitável, sobretudo porque existem zonas do concelho sem eletricidade há 12 dias consecutivos”.
“Esta situação começa a ser impraticável, porque coloca em causa a dignidade das famílias afetadas”, sustenta Paulo Vicente, citado na nota.
Segundo o autarca, “a população do concelho tem demonstrado resiliência exemplar”, mas “não é admissível que, quase duas semanas após o início desta crise, existam ainda agregados familiares privados de um serviço essencial e básico como a eletricidade”.
Face à gravidade da situação, o Município da Marinha Grande exige “a reposição urgente e completa do abastecimento elétrico em todas as localidades do concelho” e “transparência na comunicação sobre os prazos de resolução e equipas no terreno”.
A Câmara reclama também “reforço imediato dos meios operacionais, dada a persistência de situações prolongadas e inaceitáveis”, e “assunção das responsabilidades aplicáveis, pelos danos materiais causados a famílias e empresas”.
“A reposição total da energia elétrica é urgente, imprescindível e não pode continuar a ser adiada”, acrescenta a autarquia.
A E-Redes é a principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde o dia 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.