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Mau tempo: Associações alertam para grave risco de contaminação por amianto

Lusa
05-02-2026 12:54h

As associações Zero e AEPRA alertaram hoje para o grave risco de contaminação por amianto devido às placas com este material cancerígeno que ficaram danificadas e estão dispersas na via pública após a tempestade Kristin.

Para proteção da população, a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável e a Associação de Empresas Portuguesas de Remoção de Amianto (AEPRA) recomendam num comunicado conjunto que “não se toquem nem removam placas suspeitas, que se evite a circulação nas zonas afetadas, que os locais sejam sinalizados e que as situações sejam comunicadas às autoridades competentes”.

A Zero diz ter recebido “múltiplas denúncias de placas de fibrocimento, vulgarmente conhecidas como placas de Lusalite, partidas e abandonadas, situação que implica a libertação de fibras de amianto — substâncias comprovadamente cancerígenas — facilmente inaláveis pela população”.

“Sempre que materiais contendo amianto se partem ou se degradam, libertam fibras extremamente perigosas. A sua inalação pode causar asbestose, cancro do pulmão e mesotelioma, um cancro raro, mas muito agressivo. A presença destes resíduos na via pública expõe toda a comunidade a um risco grave e inaceitável”, alerta Íria Roriz Madeira, da Zero, citada no comunicado.

Esta associação ambientalista sublinha “a necessidade de uma intervenção urgente por parte das autoridades competentes para a limpeza e remoção segura dos materiais afetados”.

Adianta que as situações identificadas foram comunicadas ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, pedindo à população que faça o mesmo.

As duas associações alertam que “qualquer reutilização, reciclagem ou valorização de materiais contendo amianto é expressamente proibida pela legislação portuguesa e representa um perigo sério para quem manuseia esses materiais e para toda a comunidade envolvente”.

Chamam ainda a atenção para “o risco acrescido de exposição ao amianto das equipas de socorro, serviços municipais e voluntários que, sem informação adequada ou equipamentos de proteção individual apropriados, procedem à remoção de destroços, uma vez que o corte ou manuseamento destes materiais pode libertar fibras perigosas para o ar”.

A AEPRA indica também ter tido conhecimento de “práticas alarmantes” por parte de cidadãos que “estão a doar placas de fibrocimento para reparar coberturas danificadas, sem qualquer garantia de cumprimento das normas legais relativas à remoção, acondicionamento, transporte e destino final destes resíduos perigosos, criando situações de risco elevado para a saúde pública”.

“Consideramos particularmente grave que estas situações sejam apresentadas sob a forma de gestos solidários ou de ajuda, quando, na realidade, transferem para terceiros um problema ambiental e de saúde pública, bem como os respetivos encargos de tratamento e deposição”, afirma Marina Côrte-Real, representante da AEPRA, citada no comunicado.

O amianto está proibido em Portugal desde 2005 e a sua reutilização, reciclagem ou qualquer forma de valorização de resíduos contendo amianto é ilegal, recordam as associações.

Na quarta-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu recomendações de segurança após os danos causados pela tempestade Kristin, alertando para o risco de exposição ao amianto durante trabalhos de limpeza, remoção de destroços e reparação de edifícios.

Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que afetou sobretudo as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.

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