SAÚDE QUE SE VÊ

Doentes com artrite reumatoide melhoraram qualidade de vida nos últimos anos

LUSA
04-04-2025 16:22h

A qualidade de vida dos doentes com artrite reumatoide, que em Portugal afeta entre 300 a 400 mil pessoas, sobretudo mulheres, melhorou significativamente nas últimas décadas devido à evolução das terapêuticas.

"Nos últimos 25 anos, a face da artrite reumatoide mudou radicalmente, nomeadamente com o desenvolvimento dos agentes ditos biológicos", sublinhou o diretor do Serviço de Reumatologia na Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, Pereira da Silva.

A propósito do Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatoide, que se comemora no sábado, o especialista sublinhou que existem alternativas terapêuticas que são "muitíssimo mais eficazes e melhor toleradas, o que dá uma esperança de qualidade de vida completamente diferente aos doentes".

A artrite reumatoide é uma das doenças reumáticas e inflamatórias mais comuns, que se caracteriza por afetar as articulações, sobretudo as das mãos e dos pés, que podem envolver praticamente todas as articulações (desde joelhos aos ombros), provocando dores, deformações e a sua destruição.

"É de facto uma doença muitíssimo grave que felizmente temos vindo a alterar de forma muito positiva nos últimos anos com os avanços da terapêutica", sublinhou Pereira da Silva.

O Serviço de Reumatologia da ULS de Coimbra acompanha atualmente mais de 1.500 doentes com artrite reumatoide, que provoca dor, rigidez matinal nas articulações das mãos e pés, dificultando pequenas tarefas diárias como lavar os dentes ou apertar uma camisa.

Em manifestações mais raras, pode haver alterações na pele ou em órgãos como pulmão e perturbação do sono.

Segundo a médica Cátia Duarte, responsável pela consulta de artrite inicial daquele serviço, o ideal é observar o doente numa fase muito precoce e efetuar uma avaliação clínica nas primeiras 12 semanas para se iniciar o tratamento.

De acordo com a reumatologista, as opções terapêuticas mudaram bastante, não só o tipo de fármacos como os diferentes mecanismos de ação, através de uma estratégia de tratamento farmacológico mais intensivo desde o início, que permite à maioria dos doentes entrar em remissão.

"Quando temos o diagnóstico, iniciamos logo o tratamento com os medicamentos que estão indicados para que o doente fique com a doença muito bem controlada desde muito cedo, porque sabemos que isso vai influenciar o prognóstico do doente em termos funcionais", explicou.

A artrite reumatoide pode aparecer em qualquer idade ou género, mas, segundo Cátia Duarte, afeta mais mulheres, com idades entre os 50 e os 60 anos.

"Não faz sentido sofrer, pois há tratamentos eficazes e o nosso objetivo é, de facto, fazer com que o doente retome a sua vida normal como era previamente à doença, com capacidade de realizar as pequenas tarefas do dia a dia, quer laborais, familiares ou sociais", salientou.

O caso do selecionador nacional de ciclismo, Gabriel Mendes, de 50 anos, que sofre há 15 anos de artrite reumatoide, é demonstrativo de que a evolução terapêutica ajudou a controlar a doença e a manter uma vida ativa.

"Neste momento utilizo medicação biológica e, de facto, posso dizer que transformou e melhorou a minha qualidade de vida. Hoje, tenho a artrite bem controlada e a perceção e a dor que tinha nos primeiros anos alterou-se por completo", sustentou.

No entanto, os primeiros anos "foram bastante difíceis, mas sem deixar de desempenhar as funções profissionais e o trabalho, porque a atitude perante um problema é também um aspeto importante para minimizar ou atenuar os seus efeitos".

"Confesso que no início foi muito complicado, porque tinha uma atividade profissional extremamente intensa. Trabalhei uma série de anos com dores relativamente intensas e bastante limitativas, mas nunca baixei os braços", enfatizou Gabriel Mendes, treinador dos ciclistas olímpicos Iúri leitão e Rui Oliveira.

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