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Etiópia: Ajuda alimentar da ONU ao norte do país "prestes a parar" devido ao conflito

LUSA
14-01-2022 12:28h

O Programa Alimentar Mundial da ONU (PAM) advertiu hoje que a sua ajuda a Tigray e outras áreas do norte da Etiópia está "prestes a parar" devido à intensificação do conflito e ao bloqueio a combustível e alimentos.

"A escalada do conflito fez com que nenhum comboio do PAM conseguisse chegar à capital do estado, Mekele, desde meados de dezembro", disse o porta-voz da agência das Nações Unidas, Tomson Phiri, numa conferência de imprensa.

A fonte oficial advertiu que os fornecimentos de ajuda a crianças e mulheres na zona atingida pelo conflito estão a esgotar-se, e "a última remessa de cereais, leguminosas e óleo será distribuída na próxima semana”.

O PAM apela às partes em conflito para que providenciem rotas seguras para a passagem da ajuda, e adverte que a zona de conflito está "à beira de uma catástrofe humanitária".

A agência das Nações Unidas estima que cerca de 9,4 milhões de pessoas necessitam de ajuda alimentar, ao fim de mais de um ano de conflito, sendo que as dificuldades de acesso levaram a que a organização apenas tenha atingido um quinto dessas pessoas.

Esta semana, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, acusou Adis Abeba de ngar "ao seu próprio povo, durante mais de um ano, o acesso a alimentos, medicamentos e tudo aquilo de que necessita para sobreviver", críticas que foram repudiadas pelo Governo etíope, liderado pelo Nobel da Paz Abiy Ahmed.

A guerra no Tigray eclodiu em 04 de novembro de 2020, quando o primeiro-ministro Abiy Ahmed enviou o Exército federal para a província no norte do país, com a missão de retirar pela força as autoridades locais, que vinham a desafiar a autoridade de Adis Abeba há meses.

O conflito provocou a morte de vários milhares de pessoas e fez mais de dois milhões de deslocados, deixando ainda centenas de milhares de etíopes em condições de quase fome, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Os intensos esforços diplomáticos, incluindo os da União Africana, para alcançar um cessar-fogo, não produziram até agora qualquer progresso decisivo.

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