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1.º de Maio: Esquerda divide-se entre o “on-line” e a rua e a CGTP e UGT

LUSA
30-04-2020 18:39h

Os partidos de esquerda vão dividir-se nas comemorações de sexta-feira do Dia do Trabalhador, com PS e BE a escolher o 'on-line' e redes sociais e PCP e Os Verdes a optarem pela rua, com "distanciamento social".

Além de, tradicionalmente, se dividirem entre as manifestações das duas centrais sindicais, CGTP-In e UGT, os quatro partidos de esquerda com representação parlamentar também se separam na forma de comemorar este dia.

 

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, optou por sair à rua na sexta-feira e juntar-se à iniciativa do 1.º de Maio da CGTP, às 15:00, junto ao cruzamento da Rua Actor Isidoro com a Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa.

 

À mesma hora e no mesmo local, "garantindo a proteção e o distanciamento sanitário recomendado pela DGS [Direção-Geral da Saúde]", vai estar uma delegação do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), em que se inclui o líder parlamentar, José Luís Ferreira, segundo um comunicado desta força política.

 

Em tempo de pandemia, a CGTP optou por reduzir o número de iniciativas, de 40 para 25, e a dimensão do desfile em Lisboa e no Porto, por exemplo, e as ações estão marcadas para jardins, largos e grandes avenidas.

 

A UGT tinha agendada uma concentração para Vila Real, onde o seu secretário-geral faria a sua intervenção político-sindical, mas vai evocar a data com uma sucessão de vídeos com depoimentos de sindicalistas da central e de estruturas sindicais estrangeiras, nomeadamente a Confederação Europeia de Sindicatos.

 

O PS, que nos últimos anos enviava delegações tanto às manifestações da Intersindical como da UGT, escolheu este ano não sair à rua e fazer todas as suas comemorações via redes sociais e na Internet.

 

Os socialistas estreiam, no Facebook, as conferências digitais para debater o pós-crise, sobre o futuro dos direitos sociais, com a participação de Paulo Pedroso, sociólogo, antigo militante do PS e ex-ministro do Trabalho e Solidariedade Social, e Carlos Farinha Rodrigues, professor no ISEG-UL e investigador do Centro de Matemática Aplicada à Previsão e Decisão Económica (Cemapre), moderado por Susana Ramos, secretária nacional do PS para o Trabalho e Economia Social.

 

Será ainda emitida uma mensagem em vídeo, nas redes sociais e no "site" do PS, de Susana Ramos, e mensagens escritas de Carlos Silva, secretário-geral da UGT e dirigente do PS, e do Secretariado Nacional da Corrente Sindical Socialista da CGTP.

 

O Bloco de Esquerda assinala o Dia do Trabalhador também com uma mensagem de vídeo, gravada pela coordenadora do partido, Catarina Martins, e divulgada nas redes sociais.

 

Segundo um comunicado dos bloquistas, a mensagem vai fazer referência ao trabalho feito pelo 'site' despedimentos.pt, criado pelo BE "com o objetivo de receber denúncias de abusos patronais e atropelamentos dos direitos laborais" durante a crise do novo coronavírus, e que "já recebeu centenas de queixas e denúncias".

 

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 227 mil mortos e infetou quase 3,2 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

 

Em Portugal, morreram 989 pessoas das 25.045 confirmadas como infetadas, e há 1.519 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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